HSL PUCRS - Hospital São Lucas da PUCRS (RS) — Prova 2018
Homem, 25 anos, previamente hígido, assintomático, veio à Unidade de Saúde solicitar exames de rotina. Ocasionalmente tem relações sexuais sem preservativo com seu parceiro fixo nos últimos 2 anos. O médico então recomenda testes rápidos para detectar doenças sexualmente transmissíveis. Os exames detectaram testagem positiva apenas para HIV. O homem, apesar de preocupado, mostra-se ciente do seu diagnóstico, verbalizando que vai aderir ao tratamento e se comprometer imediatamente com o plano terapêutico, além de avisar por telefone seu namorado para também fazer os testes rápidos. Qual é o estágio de mudança de comportamento desse paciente pelo modelo transteórico de Prochada e DiClemente?
Paciente com plano de ação e intenção de mudar nos próximos 30 dias = Preparação.
O estágio de preparação envolve a intenção de agir no futuro imediato, com passos iniciais já tomados ou planejados concretamente pelo paciente.
O Modelo Transteórico de Prochaska e DiClemente é fundamental na prática clínica para personalizar a abordagem de aconselhamento. No contexto do HIV, a prontidão para o tratamento é um preditor crítico de sucesso virológico e redução da transmissão comunitária. Identificar que o paciente está na fase de preparação permite que o médico acelere o início da TARV (Terapia Antirretroviral) com maior segurança. A transição da contemplação para a preparação muitas vezes ocorre rapidamente após um evento marcante, como o recebimento de um diagnóstico positivo, exigindo uma resposta rápida e estruturada da equipe de saúde para consolidar a adesão.
Os estágios são: 1) Pré-contemplação: o indivíduo não reconhece o problema; 2) Contemplação: reconhece o problema mas está ambivalente; 3) Preparação: pretende agir no futuro imediato e faz pequenos planos; 4) Ação: altera ativamente seu comportamento; 5) Manutenção: trabalha para prevenir recaídas. Existe também a fase de Recaída, vista como parte do processo circular de mudança de hábitos.
O paciente está em Preparação porque, logo após o diagnóstico, ele verbaliza a intenção de aderir ao tratamento imediatamente e já toma uma atitude concreta: avisar o parceiro para testagem. Ele não está apenas pensando na possibilidade (Contemplação), mas sim comprometendo-se com um plano terapêutico e executando ações que facilitam a mudança de comportamento necessária.
Neste estágio, a estratégia médica deve focar em ajudar o paciente a elaborar um plano de ação concreto e realista. Deve-se reforçar a decisão de mudança, identificar barreiras potenciais à adesão e oferecer suporte técnico. É o momento ideal para fornecer informações detalhadas sobre a medicação e validar a proatividade do paciente em envolver sua rede de apoio.
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