FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2025
Os diagnósticos adotados em saúde mental tendem a ser construídos sobre parâmetros de normalidade que trazem consigo referenciais sociais, éticos e legais determinados pelas necessidades socioeconômicas e políticas do momento histórico vigente. A abordagem farmacológica dos problemas de saúde mental é hegemonicamente determinada a partir de um diagnóstico, porém esses diagnósticos são constituídos pela sistematização de um conjunto de sintomas, sem levar em consideração a etiologia propriamente dita. Essa tendência de determinar o tratamento com base na doença é denominado Modelo Centrado na Doença. A partir dos anos de 1990, uma perspectiva crítica sobre a saúde mental trouxe questionamentos à ideia predominante de que os tratamentos deveriam ter por base o diagnóstico psiquiátrico, afinal, clinicamente, os diagnósticos são construídos a partir de classificações que englobam somente sintomas, e não por meio da dosagem das monoaminas cerebrais. Dessa perspectiva crítica, derivou o Modelo Centrado na Droga, no qual os medicamentos psicotrópicos são vistos como produtores de efeitos globais sobre o funcionamento do indivíduo, em que as drogas (fármacos) exercem seus efeitos sobre emoções, comportamentos e pensamentos de formas particulares, dependendo de seu caráter psicoativo, independentemente da existência de um diagnóstico psiquiátrico ou não. Dessa forma, antipsicóticos têm potencial de melhora de sintomas de psicose devido à sua capacidade de produzir estados mentais mais lentos e restringir emoções, ao passo que ansiolíticos aliviam sintomas de ansiedade devido à sua ação sedativa e relaxante, independentemente de qualquer desordem psiquiátrica. Assinale a alternativa que corresponde a um fragmento de consulta clínica que tem por base o Modelo Centrado na Droga.
Modelo Centrado na Droga foca nos efeitos psicoativos do fármaco nos sintomas, independente do diagnóstico psiquiátrico formal.
O Modelo Centrado na Droga, em saúde mental, prioriza a compreensão dos efeitos globais dos psicofármacos sobre emoções, comportamentos e pensamentos do indivíduo, buscando aliviar sintomas específicos (ex: ansiedade, aceleração do pensamento) com base na ação psicoativa da droga, e não primariamente no enquadramento diagnóstico.
A discussão sobre os modelos de tratamento em saúde mental é fundamental para a prática clínica e a compreensão das abordagens terapêuticas. Tradicionalmente, o Modelo Centrado na Doença tem sido hegemônico, onde o diagnóstico psiquiátrico (baseado em sintomas) guia a escolha do tratamento farmacológico. No entanto, essa abordagem tem sido alvo de críticas por sua rigidez e por desconsiderar a complexidade individual. O Modelo Centrado na Droga surge como uma perspectiva crítica, propondo que os medicamentos psicotrópicos sejam compreendidos por seus efeitos globais sobre o funcionamento do indivíduo. Neste modelo, o foco não está em 'curar uma doença' diagnosticada, mas em modular emoções, comportamentos e pensamentos através da ação psicoativa dos fármacos, visando o alívio de sintomas específicos relatados pelo paciente. A alternativa correta ilustra essa abordagem ao focar nos sintomas (pensamentos acelerados, preocupação) e na busca do paciente por auxílio medicamentoso para tornar um processo de mudança mais fácil, sem a necessidade de um enquadramento diagnóstico formal. Essa perspectiva valoriza a experiência subjetiva do paciente e a capacidade do fármaco de influenciar estados mentais, independentemente de uma 'doença' predefinida.
O Modelo Centrado na Doença baseia o tratamento no diagnóstico psiquiátrico formal, enquanto o Modelo Centrado na Droga foca nos efeitos dos psicofármacos sobre os sintomas específicos do indivíduo, independentemente de um diagnóstico.
Neste modelo, a escolha do psicofármaco é guiada pela sua capacidade de produzir efeitos globais sobre emoções, comportamentos e pensamentos que aliviem os sintomas relatados pelo paciente, como sedação para ansiedade ou lentificação para psicose.
O texto critica o Modelo Centrado na Doença por basear diagnósticos em sintomas sem considerar a etiologia e por não levar em conta que os diagnósticos são construídos a partir de classificações, e não por marcadores biológicos como dosagem de monoaminas cerebrais.
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