Modelos de Sistemas de Saúde: Beveridge vs Bismarck no SUS

MedEvo Simulado — Prova 2026

Enunciado

O Sr. Arnaldo, 72 anos, comparece à Unidade Básica de Saúde para renovação de prescrições de uso contínuo. Durante a consulta, ele recorda saudosamente que, na década de 1970, trabalhava em uma metalúrgica e possuía assistência médica garantida pelo antigo sistema previdenciário, enquanto seus vizinhos que trabalhavam na informalidade dependiam de instituições filantrópicas ou do pagamento direto. Ele questiona o médico sobre por que o sistema mudou tanto com a criação do SUS. Considerando a evolução histórica das políticas de saúde no Brasil e os modelos teóricos de sistemas de saúde (Bismarck, Beveridge e Semashko), assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) O modelo de Bismarck, que fundamentou as Caixas de Aposentadoria e Pensões (CAPS) e os Institutos (IAPs) no Brasil, caracteriza-se pelo financiamento via impostos gerais e acesso universal independentemente do vínculo empregatício.
  2. B) O modelo de Beveridge, que serviu de inspiração doutrinária para o Sistema Único de Saúde (SUS), pressupõe um sistema financiado pelo orçamento estatal (impostos), com controle público e acesso baseado no direito de cidadania.
  3. C) O sistema brasileiro pré-1988, exemplificado pelo INPS e INAMPS, seguia a lógica beveridgiana de unificação de benefícios, garantindo assistência médica integral a toda a população urbana e rural de forma equânime.
  4. D) O modelo Semashko, predominante em países com economia de mercado liberal como os Estados Unidos, baseia-se na livre iniciativa, na fragmentação do cuidado e no pagamento direto (out-of-pocket) como principal fonte de sustentação.

Pérola Clínica

SUS = Beveridgiano (Universal/Impostos); Pré-88 = Bismarckiano (Contributivo/Trabalho).

Resumo-Chave

O SUS adota o modelo de Beveridge, caracterizado pelo acesso universal como direito de cidadania e financiamento estatal via impostos gerais, rompendo com o modelo meritocrático anterior.

Contexto Educacional

O estudo dos sistemas comparados de saúde é essencial para entender a doutrina do SUS. O modelo de Bismarck (Alemanha, 1883) é o seguro social clássico, onde o benefício é proporcional à contribuição laboral. No Brasil, esse modelo predominou por décadas, gerando exclusão social para trabalhadores informais e rurais, que ficavam à margem da assistência estatal. A transição para o modelo de Beveridge (Reino Unido, 1948) ocorreu com o movimento da Reforma Sanitária e a promulgação da Constituição de 1988. O SUS herdou de Beveridge a universalidade, a integralidade e o financiamento público. Compreender essa evolução histórica é recorrente em questões de Medicina Preventiva e Social, exigindo que o candidato identifique as bases ideológicas, financeiras e de acesso de cada sistema.

Perguntas Frequentes

Quais as características do modelo de Beveridge?

O modelo de Beveridge, originado no Reino Unido (NHS), baseia-se no financiamento através de impostos gerais pagos por toda a sociedade. O acesso é um direito de cidadania, sendo universal e gratuito no ponto de serviço. O Estado atua como o principal provedor e gestor do sistema, focando na atenção integral, na hierarquização dos serviços e no controle social, servindo de base doutrinária para o SUS brasileiro.

Como funcionava o modelo de Bismarck no Brasil?

Antes do SUS, o Brasil seguia uma lógica bismarckiana, iniciada com as CAPS e consolidada no IAPs e INAMPS. O acesso à saúde era vinculado ao contrato de trabalho formal e contribuições previdenciárias (seguro social). Quem não possuía carteira assinada era considerado 'indigente' e dependia de caridade, instituições filantrópicas ou pagamento direto, caracterizando um sistema excludente e fragmentado.

O que mudou com a Constituição de 1988 na saúde?

A Constituição de 1988 instituiu a Saúde como 'direito de todos e dever do Estado', criando o SUS. Ela unificou o sistema, eliminando a distinção entre trabalhadores formais e o restante da população. Além disso, estabeleceu o conceito de Seguridade Social, integrando saúde, previdência e assistência social sob um financiamento solidário e descentralizado, com participação da comunidade.

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