INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2013
Paciente secundigesta, na 35ª semana de gestação, relata diminuição de movimentos fetais. Informa ainda gestação anterior interrompida na 36ª semana por pré-eclâmpsia. Ao exame, PA = 120 x 80 mmHg, altura uterina = 30 cm, batimentos cardiofetais = 140 bpm, dinâmica uterina ausente. Feto em apresentação cefálica, com dorso à esquerda. Toque vaginal = colo longo, posterior e impérvio. Diante destes dados, a conduta a ser tomada é:
Queixa de ↓ movimentos fetais + exames normais → vigilância clínica rigorosa e registro diário (mobilograma).
A redução da movimentação fetal é um sinal de alerta para hipóxia; em gestações de risco com exames atuais normais, o seguimento deve ser semanal e criterioso.
A percepção materna da movimentação fetal inicia-se entre 18 e 20 semanas e torna-se um indicador crucial de bem-estar fetal no terceiro trimestre. No cenário clínico de uma paciente na 35ª semana com histórico de pré-eclâmpsia, a queixa de diminuição de movimentos deve ser levada a sério, mesmo com parâmetros clínicos (PA, BCF, AU) normais no momento da consulta. A conduta adequada envolve o acompanhamento clínico-obstétrico semanal. Isso inclui a monitorização da pressão arterial materna, o ganho de peso, a medida da altura uterina (para rastrear RCIU) e, fundamentalmente, a orientação para o registro diário dos movimentos fetais (mobilograma). Se houver qualquer alteração nos testes de vitalidade ou surgimento de hipertensão, a conduta deve ser reavaliada para possível antecipação do parto, visando o equilíbrio entre a maturidade fetal e o risco de morte intrauterina.
O mobilograma é um método de avaliação indireta da vitalidade fetal baseado na percepção materna dos movimentos. É uma ferramenta de baixo custo e alta sensibilidade para detectar fetos em risco de hipóxia, já que a redução da atividade motora é um mecanismo de economia de energia do feto em sofrimento. Recomenda-se que a gestante conte os movimentos em períodos específicos (ex: após as refeições). Menos de 6 movimentos em 1 hora ou menos de 10 movimentos em 2 horas (dependendo do protocolo) exige avaliação médica imediata com cardiotocografia ou perfil biofísico.
Uma história de pré-eclâmpsia grave ou parto prematuro por causas hipertensivas classifica a gestação atual como de alto risco. Essas pacientes têm maior probabilidade de desenvolver insuficiência placentária, restrição de crescimento intrauterino (RCIU) e recorrência de síndromes hipertensivas. Portanto, mesmo que a pressão arterial e o exame físico estejam normais no momento (como no caso da paciente com 35 semanas), a vigilância deve ser intensificada com consultas mais frequentes (semanais) e monitoramento rigoroso da vitalidade fetal.
A interrupção da gestação não deve ser baseada apenas na queixa subjetiva de redução de movimentos se os testes objetivos de vitalidade estiverem normais. A conduta de interrupção é indicada quando há evidência de sofrimento fetal agudo ou crônico descompensado, demonstrado por cardiotocografia não tranquilizadora (categoria III), perfil biofísico fetal baixo (≤ 4/10) ou alterações graves no Doppler (como diástole reversa na artéria umbilical). Na ausência desses sinais e com estabilidade materna, opta-se pelo seguimento rigoroso.
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