UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2020
Mulher de 27 anos é admitida na emergência com quadro de edema agudo de pulmão de difícil controle. Há histórico de palpitações intermitentes, com ocorrência variável conforme a postura assumida, além de febre recorrente, emagrecimento e anemia. No exame clínico feito há duas semanas, observaram-se diversas efélides e um ruflar diastólico à ausculta, não precedido de estalido de abertura, em foco mitral. Auscultou-se ainda outro ruído protomesodiastólico, ambos os ruídos observados eram intermitentes sendo mais audíveis em ortostase. O ecocardiograma revela, no átrio esquerdo, uma massa de 4cm de diâmetro, de brilho central heterogêneo, móvel, pedunculada, aderida ao septo interatrial. O diagnóstico mais provável, nesse caso, é:
Mixoma atrial esquerdo → sintomas sistêmicos (febre, emagrecimento, anemia) + fenômenos embólicos + obstrução valvar mitral (ruflar diastólico).
O mixoma cardíaco, especialmente o atrial esquerdo, pode mimetizar doenças sistêmicas e valvopatias. A mobilidade da massa pode causar sintomas intermitentes e fenômenos embólicos, enquanto a obstrução do fluxo sanguíneo leva a sintomas de insuficiência cardíaca.
O mixoma cardíaco é o tumor cardíaco primário mais comum, geralmente benigno, com predileção pelo átrio esquerdo. Sua importância clínica reside na variedade de manifestações, que podem mimetizar outras doenças, tornando o diagnóstico desafiador. A epidemiologia mostra maior incidência em mulheres entre 30 e 60 anos. A fisiopatologia envolve o crescimento de uma massa gelatinosa que pode causar obstrução mecânica do fluxo sanguíneo, fenômenos embólicos por fragmentação e sintomas constitucionais devido à liberação de citocinas. A suspeita diagnóstica surge com a tríade de sintomas: constitucionais, embólicos e obstrutivos. O ecocardiograma é o método diagnóstico de escolha, revelando uma massa móvel e pedunculada. O tratamento é cirúrgico, com ressecção completa do tumor para prevenir complicações embólicas e obstrutivas. O prognóstico pós-cirúrgico é geralmente excelente, mas o acompanhamento é necessário devido ao risco de recorrência, embora baixo. A atenção deve ser dada à identificação precoce para evitar sequelas graves.
Os sintomas do mixoma cardíaco podem ser constitucionais (febre, emagrecimento, anemia), embólicos (AVC, isquemia periférica) ou obstrutivos (dispneia, síncope, ruflar diastólico).
O ecocardiograma é crucial para visualizar a massa intracardíaca, sua localização (geralmente átrio esquerdo), tamanho, mobilidade e pedículo, confirmando o diagnóstico de mixoma.
A mobilidade do mixoma, especialmente se pedunculado, pode causar obstrução intermitente do fluxo sanguíneo através das valvas cardíacas, levando a sintomas que variam com a postura.
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