UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2025
Menina, 8a, previamente hígida, é trazida pelo pai ao Pronto-Socorro porque se queixou de dor em panturrilhas ao acordar há quatro dias, que mantem até agora. Refere muita dificuldade para ficar de pé e mal consegue dar alguns passos. Na consulta realizada há dois dias em outro serviço, foi medicada com dipirona e liberada. Houve discreta melhora da dor desde ontem. Os pais são separados. A filha mora com a mãe e está com o pai há duas semanas, durante período de férias escolares. Refere que apresentou quadro gripal há uma semana (febre baixa, dor de garganta e rinorreia). Antecedentes pessoais e familiares: nega doenças. Exame físico: bom estado geral, lúcida, com sinais vitais normais, dor à palpação dos músculos posteriores das pernas. A hiopótese diagnóstica é:
Dor em panturrilhas + Pós-IVAS + Marcha digitígrada → Miosite Viral Aguda Benigna.
A miosite viral é uma complicação autolimitada de infecções respiratórias, caracterizada por dor muscular súbita e intensa, tipicamente nas panturrilhas, com resolução rápida.
A Miosite Viral Aguda Benigna da Infância (BACM) é uma entidade clínica que assusta pais devido à recusa súbita da criança em deambular. Diferente das distrofias musculares (crônicas) ou da polimiosite (autoimune), a BACM tem início abrupto e relação clara com pródromos virais. O diagnóstico é eminentemente clínico. Laboratorialmente, pode haver elevação transitória da Creatinofosfoquinase (CPK) e leucopenia. O reconhecimento dessa condição evita exames invasivos desnecessários e internações prolongadas, tranquilizando a família sobre a natureza transitória da dor.
A miosite viral aguda benigna (BACM) é mais frequentemente associada aos vírus Influenza A e B, mas também pode ocorrer após infecções por Parainfluenza, Adenovírus e Coxsackie. O quadro surge geralmente na fase de convalescença de uma infecção de vias aéreas superiores (IVAS).
O sintoma clássico é a dor súbita e intensa nas panturrilhas, que faz com que a criança se recuse a andar ou ande na ponta dos pés (marcha digitígrada) para evitar o estiramento muscular. O exame físico mostra dor à palpação das massas musculares, mas sem déficits neurológicos ou perda de reflexos.
O tratamento é de suporte, com repouso e analgésicos (como dipirona ou ibuprofeno). O prognóstico é excelente, com resolução espontânea dos sintomas em 3 a 7 dias. É importante monitorar a cor da urina e níveis de CPK para descartar rabdomiólise grave, embora esta seja rara na forma benigna.
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