Miosite por Estatina: Reconhecimento e Manejo da Dor Muscular

HIAE/Einstein - Hospital Israelita Albert Einstein (SP) — Prova 2022

Enunciado

Uma mulher de 72 anos apresenta claudicação intermitente, não limitante, em panturrilhas, há vários anos. Tem hipertensão arterial sistêmica, diabetes melito e hipercolesterolemia. Prescreve-se hipoglicemiante oral, estatina, anti-hipertensivo e ácido acetilsalicílico. Uma semana após, a paciente retorna com queixa de dor contínua em membros inferiores, incluindo ambas as coxas, que piora com a movimentação. Não tem quaisquer alterações de perfusão, sensibilidade ou motricidade das pernas. Causa mais provável desta alteração no quadro clínico:

Alternativas

  1. A) Progressão da aterosclerose no território aorto-ilíaco.
  2. B) Neuropatia diabética.
  3. C) Dissecção aórtica, pela hipertensão arterial.
  4. D) Miosite induzida pela estatina.

Pérola Clínica

Dor muscular contínua em MMII, piora com movimento, sem alteração perfusional, em uso de estatina → miosite induzida por estatina.

Resumo-Chave

A dor muscular é um efeito adverso comum das estatinas, variando de mialgia leve a miosite e, raramente, rabdomiólise. A apresentação de dor contínua, piora com movimento, sem sinais de isquemia ou neuropatia, em paciente que iniciou estatina recentemente, deve levantar forte suspeita de miosite induzida por estatina.

Contexto Educacional

As estatinas são medicamentos amplamente utilizados e altamente eficazes na redução do colesterol e na prevenção de eventos cardiovasculares, especialmente em pacientes com fatores de risco como hipertensão, diabetes e hipercolesterolemia. No entanto, como qualquer medicamento, podem apresentar efeitos adversos, sendo a dor muscular um dos mais comuns e clinicamente relevantes. A mialgia associada a estatina (MAS) abrange um espectro que vai desde mialgia sem elevação de CK, miosite (dor com elevação de CK), até a rara e grave rabdomiólise (elevação maciça de CK com risco de insuficiência renal). No caso clínico apresentado, a paciente de 72 anos, com múltiplos fatores de risco e em uso de estatina, desenvolve dor contínua em membros inferiores que piora com a movimentação, sem alterações de perfusão, sensibilidade ou motricidade. Essa descrição é altamente sugestiva de miosite induzida pela estatina. É crucial diferenciar essa condição de outras causas de dor em membros inferiores, como a progressão da aterosclerose (claudicação intermitente, que alivia com repouso e cursa com sinais de isquemia), neuropatia diabética (que apresenta alterações sensitivas e motoras) ou dissecção aórtica (dor súbita, intensa e geralmente associada a instabilidade hemodinâmica). A fisiopatologia da miosite por estatina não é completamente compreendida, mas envolve mecanismos como disfunção mitocondrial e depleção de coenzima Q10. O diagnóstico é clínico, com suporte laboratorial pela dosagem de creatina quinase. A conduta inicial é a suspensão da estatina e reavaliação. Em muitos casos, a dor melhora com a interrupção. A reintrodução de uma estatina em dose menor ou a troca por outra estatina, ou mesmo por outra classe de hipolipemiantes, pode ser considerada, sempre com monitoramento rigoroso dos sintomas e da CK.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas da miosite induzida por estatina?

Os sintomas da miosite induzida por estatina incluem dor muscular, sensibilidade, fraqueza ou cãibras, geralmente simétricas e afetando grandes grupos musculares como coxas e panturrilhas. A dor pode piorar com a movimentação e, em casos mais graves, pode haver elevação da creatina quinase (CK).

Como diferenciar a miosite por estatina de outras causas de dor em membros inferiores?

A miosite por estatina deve ser diferenciada de neuropatia diabética (que cursa com alterações sensitivas e motoras), claudicação intermitente (dor que alivia com repouso, associada a sinais de isquemia) e outras miopatias. A história de início recente da estatina e a ausência de sinais de isquemia ou neuropatia favorecem a miosite.

Qual a conduta inicial ao suspeitar de miosite induzida por estatina?

Ao suspeitar de miosite induzida por estatina, a conduta inicial é suspender temporariamente a estatina, solicitar dosagem de creatina quinase (CK) e reavaliar os sintomas. Se a dor melhorar e a CK normalizar, pode-se tentar reintroduzir a estatina em dose menor ou trocar para outra estatina ou hipolipemiante.

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