Miopia Aguda Induzida por Topiramato: Diagnóstico e Conduta

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2022

Enunciado

Um paciente previamente emétrope de 40 anos de idade com histórico de epilepsia refere visão embaçada para longe de aparecimento súbito em ambos os olhos. Apresenta miopia de -4,50 DE em ambos os olhos atingindo acuidade visual normal. Qual a provável causa?

Alternativas

  1. A) Acidente vascular cerebral.
  2. B) Uso de topiramato.
  3. C) Ectopia lentis.
  4. D) Catarata.

Pérola Clínica

Topiramato → Efusão ciliar → Anteriorização do cristalino → Miopia aguda e glaucoma de ângulo fechado.

Resumo-Chave

O topiramato causa edema do corpo ciliar e efusão supraciliar, levando ao deslocamento anterior do diafragma íris-cristalino, resultando em miopia aguda e risco de glaucoma secundário.

Contexto Educacional

O topiramato é uma medicação amplamente utilizada para epilepsia e profilaxia de enxaqueca, mas seus efeitos adversos oculares são graves e requerem reconhecimento imediato. A miopia aguda, que pode chegar a -8.00 dioptrias, é um sinal de alerta para efusão uveal. O reconhecimento precoce evita danos permanentes ao nervo óptico decorrentes da hipertensão ocular súbita. Este caso clínico destaca a importância da anamnese farmacológica em pacientes com alterações visuais agudas.

Perguntas Frequentes

Qual a fisiopatologia da miopia induzida pelo topiramato?

A fisiopatologia envolve uma reação de hipersensibilidade do tipo idiossincrática que causa edema do corpo ciliar e efusão supraciliar. Esse acúmulo de fluido no espaço supraciliar provoca o relaxamento das zônulas de Zinn e o deslocamento anterior de todo o diafragma íris-cristalino. O resultado é um aumento do poder refrativo do olho (miopia) e o estreitamento mecânico do ângulo iridocorneano, podendo levar ao glaucoma agudo de ângulo fechado. Diferente do glaucoma primário, este é um mecanismo de 'empurramento' posterior, não dependente de bloqueio pupilar, o que altera drasticamente a estratégia terapêutica convencional.

Como diferenciar essa miopia de um glaucoma primário de ângulo fechado?

A diferenciação clínica é crucial. No glaucoma induzido por topiramato, o quadro é tipicamente bilateral e ocorre em pacientes jovens (frequentemente sem histórico de hipermetropia), surgindo geralmente nas primeiras duas semanas de uso da medicação. Ao exame de ultrassonografia biomicroscópica (UBM), observa-se a efusão ciliar e a ausência de bloqueio pupilar. No glaucoma primário, o mecanismo é geralmente unilateral ou assimétrico, associado a olhos curtos (hipermetropia) e bloqueio pupilar. Além disso, a resposta ao tratamento difere: o topiramato exige suspensão da droga e cicloplégicos, enquanto o primário exige iridotomia.

Qual o tratamento imediato para o glaucoma por topiramato?

O tratamento imediato consiste na suspensão imediata do topiramato sob supervisão médica. Terapeuticamente, utilizam-se agentes hipotensores oculares tópicos (exceto mióticos) e sistêmicos, como a acetazolamida, para reduzir a pressão intraocular. O uso de cicloplégicos (como a atropina) é fundamental, pois eles promovem o relaxamento do corpo ciliar e auxiliam no deslocamento posterior do diafragma íris-cristalino, aprofundando a câmara anterior. Corticoides tópicos podem ser usados para reduzir a inflamação ciliar. É contraindicado o uso de pilocarpina e a realização de iridotomia periférica a laser, pois não há bloqueio pupilar envolvido.

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