UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2022
Homem, 39 anos, é admitido no setor de emergência com queixa de dor torácica em aperto, variando com a respiração, com elevação de troponina. Eletrocardiograma (ECG) de repouso: supradesnivelamento difuso do segmento ST, de cerca de 0,5mm, e infradesnivelamento do segmento PR. Há relato de síndrome gripal, 2 semanas atrás. A hipótese diagnóstica mais provável é:
Dor torácica pleurítica + supradesnivelamento difuso ST + infradesnivelamento PR + troponina ↑ + infecção viral prévia → Miopericardite.
A miopericardite é uma inflamação do pericárdio e do miocárdio, frequentemente de etiologia viral, que se manifesta com dor torácica de caráter pleurítico, alterações eletrocardiográficas típicas de pericardite (supradesnivelamento difuso do ST e infradesnivelamento do PR) e elevação de marcadores de necrose miocárdica (troponina), indicando envolvimento do músculo cardíaco.
A miopericardite é uma condição inflamatória que afeta simultaneamente o pericárdio (pericardite) e o miocárdio (miocardite). É mais comum em adultos jovens e, na maioria dos casos, é de etiologia viral, frequentemente precedida por uma infecção do trato respiratório superior ou gastrointestinal. A importância clínica reside na potencial disfunção miocárdica e nas complicações que podem surgir, como arritmias ou cardiomiopatia dilatada. O diagnóstico da miopericardite baseia-se em uma combinação de achados clínicos, eletrocardiográficos e laboratoriais. Clinicamente, o paciente apresenta dor torácica pleurítica, que piora com a inspiração e melhora ao inclinar-se para frente. No eletrocardiograma, são típicos o supradesnivelamento difuso do segmento ST e o infradesnivelamento do segmento PR. A elevação dos marcadores de necrose miocárdica, como a troponina, é crucial para diferenciar a miopericardite da pericardite isolada, indicando o envolvimento do miocárdio. O tratamento é geralmente de suporte, com anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) e colchicina para a dor e inflamação. Em casos mais graves, corticosteroides podem ser considerados. É fundamental o acompanhamento da função cardíaca, pois a miocardite pode levar a disfunção ventricular. O prognóstico é geralmente bom, mas alguns pacientes podem desenvolver cardiomiopatia dilatada crônica ou arritmias persistentes, necessitando de monitorização a longo prazo.
Os achados clássicos incluem supradesnivelamento difuso do segmento ST em múltiplas derivações (exceto aVR e V1), infradesnivelamento do segmento PR (especialmente em DII, aVF, V4-V6) e, em fases posteriores, inversão da onda T.
A elevação da troponina indica envolvimento miocárdico (miocardite) em um quadro de pericardite. Isso sugere uma miopericardite, que pode ter um prognóstico ligeiramente diferente e requer monitorização mais cuidadosa da função ventricular.
A etiologia mais comum da miopericardite é viral, com vírus como Coxsackie B, adenovírus, parvovírus B19 e herpesvírus sendo frequentemente implicados. Infecções respiratórias recentes são um antecedente comum.
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