Miopericardite Aguda: Diagnóstico e Manejo da Disfunção Ventricular

FMP/UNIFASE - Faculdade de Medicina de Petrópolis (RJ) — Prova 2022

Enunciado

Em paciente jovem, com quadro de precordialgia, com ECG mostrando supradesnivelamento difuso de segmento ST por miopericardite aguda. Qual o tratamento adequado?

Alternativas

  1. A) Trombólise com Estreptoquinase ou angioplastia primária o mais rápido possivel, aindana sala de emergência com indicação para uso de stent farmacológico.
  2. B) Sintomáticos, analgesia e alta hospitalar encaminhando o paciente para realização de Holter 24h e teste ergométrico.
  3. C) Internação em unidade Coronariana, iniciando estatinas, beta bloqueador e antiagregação plaquetária com AAS + clopidogrel, passando para os novos antiagregantes (ticagrelor e prasugrel) só após 48h.
  4. D) Internação em unidade coronariana, iniciando inibidores da enzima de conversão (IECA), bloqueadores do receptor da angiotensina (BRA) e betabloqueadores (BB) caso haja disfunção ventricular e insuficiência cardíaca manifesta.

Pérola Clínica

Miopericardite aguda com disfunção ventricular ou IC → internação + IECA/BRA + BB (se tolerado), para otimização hemodinâmica e prevenção de remodelamento.

Resumo-Chave

A miopericardite aguda, especialmente quando associada a disfunção ventricular ou insuficiência cardíaca, requer internação hospitalar e tratamento de suporte. Este pode incluir IECA/BRA e betabloqueadores para otimizar a função cardíaca, reduzir a pós-carga e prevenir o remodelamento ventricular adverso, melhorando o prognóstico a longo prazo.

Contexto Educacional

A miopericardite aguda é uma condição inflamatória do miocárdio e pericárdio, frequentemente de etiologia viral, que pode mimetizar um infarto agudo do miocárdio devido à dor precordial e alterações eletrocardiográficas, como o supradesnivelamento difuso do segmento ST, sendo um desafio diagnóstico. O diagnóstico diferencial é crucial. Enquanto no IAM o supradesnivelamento do ST é localizado e convexo, na miopericardite é difuso e côncavo, podendo haver depressão do segmento PR. A elevação de troponinas ocorre em ambas, mas na miopericardite reflete lesão miocárdica inflamatória. A ecocardiografia é fundamental para avaliar a função ventricular e a presença de derrame pericárdico. O tratamento da miopericardite é primariamente de suporte. Em casos de disfunção ventricular ou insuficiência cardíaca manifesta, a internação em unidade coronariana é indicada, e o manejo inclui o uso de inibidores da enzima de conversão (IECA) ou bloqueadores do receptor da angiotensina (BRA) e betabloqueadores, visando otimizar a hemodinâmica e prevenir o remodelamento cardíaco adverso, melhorando o prognóstico a longo prazo.

Perguntas Frequentes

Quais são as características do ECG na miopericardite aguda que a diferenciam do IAM?

Na miopericardite, o supradesnivelamento do ST é difuso, geralmente côncavo para cima, sem alterações recíprocas significativas, e pode haver depressão do segmento PR. No IAM, o supradesnivelamento é localizado e convexo, com ondas Q patológicas e alterações recíprocas.

Qual o tratamento inicial para miopericardite aguda sem disfunção ventricular?

O tratamento inicial geralmente envolve repouso, anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) ou colchicina para controle da dor e inflamação. Corticosteroides podem ser considerados em casos específicos de refratariedade ou etiologias autoimunes.

Por que IECA/BRA e betabloqueadores são indicados na miopericardite com disfunção ventricular?

IECA/BRA e betabloqueadores são indicados para otimizar a função cardíaca, reduzir a pós-carga, controlar a frequência cardíaca e prevenir o remodelamento ventricular adverso em pacientes que desenvolvem disfunção ventricular ou insuficiência cardíaca, melhorando a sobrevida.

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