TECM Teórica - Prova Teórica de Clínica Médica — Prova 2022
Paciente masculino, 58 anos, engenheiro. Está em seguimento ambulatorial de hipertensão arterial e diabetes mellitus. Em consulta ambulatorial foi introduzida estatina, devido a LDLC de 198 mg/dL. O paciente refere que em pesquisa feita na internet, esse medicamento leva a quadro de dor generalizada e lhe pergunta como é caracterizado esse quadro clínico. A resposta adequada para o paciente, sobre o quadro clínico provocado pelo uso do medicamento em questão, é:
Mialgia por estatina = dor/fraqueza simétrica e proximal (coxas, nádegas, costas) ± elevação de CPK.
A toxicidade muscular por estatinas (SAMS) manifesta-se tipicamente como mialgia ou fraqueza bilateral e proximal, surgindo geralmente nas primeiras semanas ou meses de terapia.
As estatinas são a base do tratamento da dislipidemia, mas os sintomas musculares associados a estatinas (SAMS) são o principal motivo de descontinuação. A fisiopatologia envolve disfunção mitocondrial e depleção de coenzima Q10. O diagnóstico é clínico, apoiado pela simetria e localização proximal dos sintomas. É fundamental distinguir entre mialgia simples e quadros graves como a rabdomiólise, embora esta última seja rara. O manejo clínico exige equilíbrio entre o risco cardiovascular do paciente e a tolerância ao medicamento.
Os sintomas mais comuns incluem mialgia, fraqueza muscular e cãibras. A dor é tipicamente bilateral, simétrica e afeta grandes grupos musculares proximais, como as coxas, nádegas, panturrilhas e músculos paravertebrais. O início ocorre geralmente entre 4 a 12 semanas após o início da medicação ou aumento da dose, mas pode ocorrer a qualquer momento do tratamento.
A mialgia refere-se a dor muscular sem elevação significativa de CPK. A miopatia envolve fraqueza ou dor com CPK > 10x o limite superior da normalidade. A rabdomiólise é a forma grave, com CPK > 40x, frequentemente associada a mioglobinúria e risco de insuficiência renal aguda, exigindo interrupção imediata da droga e hidratação vigorosa.
Deve-se avaliar a gravidade e a elevação da CPK. Em casos leves, pode-se suspender temporariamente a estatina (washout) e reintroduzir uma dose menor ou uma estatina diferente (como as hidrofílicas rosuvastatina ou pravastatina) após a resolução dos sintomas para confirmar o nexo causal e manter o controle do risco cardiovascular.
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