Miomatose Uterina: Fisiopatologia e Influência Hormonal

SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2022

Enunciado

Mulher de 45 anos com queixa de sangramento menstrual aumentado há seis meses. Informa que aumentou o número dos dias e o volume do sangue catamenial. G2P2, partos vaginais. O toque vaginal revelou útero aumentado de volume com consistência endurecida em alguns pontos. A superfície era irregular. O exame de imagem revelou útero aumentado de volume, miométrio heterogêneo com imagens nodulares hipoecoicas, promovendo sombra acústica. Beta-HCG negativo. Em relação ao provável diagnóstico, assinale a alternativa CORRETA.

Alternativas

  1. A) Os tumores são inibidos pela ação estrogênica indireta, consequente ao efeito de feedback negativo com as gonadotrofinas  hipofisárias.
  2. B) Em comparação com o miométrio normal, os tumores apresentam maior densidade de receptores para estradiol.
  3. C) Existe uma maior estimulação local de isomerases que convertem estrona em estradiol.
  4. D) O tecido do estroma tumoral possui níveis mais baixos de aromatases citocromo P450.
  5. E) As células tumorais possuem maior resistência ao SHBG, promovendo maior disponibilidade de esteroides livres.

Pérola Clínica

Miomas uterinos → tumores estrogênio-dependentes com ↑ densidade de receptores de estradiol em comparação ao miométrio normal.

Resumo-Chave

Os miomas uterinos são tumores benignos do miométrio, cujo crescimento é fortemente influenciado pelos hormônios esteroides, principalmente o estrogênio. A maior densidade de receptores de estradiol nas células miomatosas em comparação com o miométrio normal é um fator chave na sua patogênese e crescimento.

Contexto Educacional

A miomatose uterina, ou leiomioma uterino, é o tumor benigno mais comum do trato genital feminino, afetando uma parcela significativa de mulheres em idade reprodutiva. Caracteriza-se pelo crescimento de nódulos de músculo liso no miométrio. Clinicamente, manifesta-se frequentemente por sangramento uterino anormal (menorragia, metrorragia), dor pélvica e sintomas compressivos. O diagnóstico é usualmente feito por ultrassonografia transvaginal, que revela útero aumentado e miométrio heterogêneo com nódulos hipoecoicos. A fisiopatologia dos miomas é complexa e envolve fatores genéticos, hormonais e de crescimento. Sabe-se que os miomas são tumores estrogênio-dependentes, o que explica seu crescimento durante a idade reprodutiva e sua regressão após a menopausa. A alternativa correta destaca um ponto crucial: as células miomatosas apresentam uma densidade significativamente maior de receptores para estradiol em comparação com o miométrio normal. Isso as torna mais responsivas aos níveis circulantes de estrogênio, promovendo sua proliferação. Além do estrogênio, a progesterona também desempenha um papel importante no crescimento dos miomas, atuando de forma sinérgica. O tratamento varia desde a observação e manejo sintomático até opções medicamentosas (análogos de GnRH, moduladores seletivos de receptores de progesterona) e cirúrgicas (miomectomia ou histerectomia), dependendo dos sintomas, tamanho dos miomas e desejo reprodutivo da paciente.

Perguntas Frequentes

Qual o papel do estrogênio no crescimento dos miomas uterinos?

O estrogênio é um dos principais hormônios que estimulam o crescimento dos miomas uterinos. As células miomatosas possuem uma maior densidade de receptores para estradiol em comparação com o miométrio normal, tornando-as mais sensíveis à sua ação proliferativa.

Como a progesterona afeta os miomas uterinos?

A progesterona também desempenha um papel importante no crescimento dos miomas, atuando de forma sinérgica com o estrogênio. Ela pode promover a proliferação celular e inibir a apoptose, contribuindo para o aumento do volume tumoral.

Quais são os principais sintomas da miomatose uterina?

Os sintomas mais comuns incluem sangramento uterino anormal (menorragia, metrorragia), dor pélvica, pressão sobre órgãos adjacentes (bexiga, reto) e, em alguns casos, infertilidade ou complicações na gravidez.

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