AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2020
Senhora com 37 anos de idade, queixa-se que há cerca de 2 anos menstrua na data prevista, porém em grande quantidade (III) e durante muitos dias (7 - 8) e com muitos coágulos. Há um ano tem cólicas de forte intensidade em região hipogástrica durante todo período menstrual e que interferem em seus afazeres. A paciente é gesta III, para III (último há 5 anos). Ao exame ginecológico nenhuma anormalidade foi detectada em genitais externos, vagina e colo uterino. Ao toque combinado percebe-se útero medindo cerca de 11cm de comprimento, endurecido e com superfície lisa. Anexos impalpáveis. Apresenta ultrassom pélvico ginecológico que mostra miométrio heterogêneo e com a presença de cinco nódulos intramurais, o menor com 28 x 37mm e o maior com 63 x 57mm. Volume uterino de 851cm3. Endométrio 16mm de espessura. Anexos normais. Sobre o caso em questão analise as considerações abaixo. I. A principal degeneração da doença uterina que a paciente apresenta é a hialina. II. Um dos fatores que contribuem para o aumento da quantidade e duração do sangramento menstrual é a expressão elevada da aromatase endometrial. III. A algia menstrual é dismenorreia primária e pode ser tratada com antiinflamatório inibidor da Cox2. IV. A presença de coágulos deve-se ao aumento da plasmina e com isto ocorrendo neutralização da fibrina e a formação de coágulos. V. A diminuição do volume uterino pode ser obtida com a prescrição de, por exemplo, acetato de leuprolida ou de ulipristal. Estão corretas apenas as alternativas
Miomatose: menometrorragia e dismenorreia secundária com útero aumentado e nódulos ao USG. Tratamento clínico com análogos GnRH ou moduladores progesterona.
A paciente apresenta quadro clássico de miomatose uterina (leiomiomas), com sangramento uterino anormal, dismenorreia secundária e útero aumentado com múltiplos nódulos ao ultrassom. O aumento da aromatase endometrial contribui para o sangramento, e o tratamento clínico pode incluir acetato de leuprolida ou ulipristal para redução do volume uterino e controle dos sintomas.
A miomatose uterina, ou leiomiomas, são tumores benignos do miométrio, extremamente comuns em mulheres em idade reprodutiva. Sua prevalência aumenta com a idade, sendo uma das principais causas de histerectomia. A compreensão de sua fisiopatologia e manejo é fundamental para a prática ginecológica e para provas de residência. Os miomas são estrogênio-dependentes e podem causar uma variedade de sintomas, sendo os mais comuns o sangramento uterino anormal (menorragia, menometrorragia) e a dismenorreia. A fisiopatologia do sangramento envolve o aumento da superfície endometrial, alterações vasculares e, como mencionado na questão, a expressão elevada da aromatase endometrial, que leva à produção local de estrogênio, estimulando o crescimento miometrial e a angiogênese. O diagnóstico é primariamente clínico e confirmado por ultrassonografia pélvica. O tratamento pode ser clínico ou cirúrgico, dependendo da gravidade dos sintomas, tamanho e localização dos miomas, e desejo de fertilidade da paciente. As opções clínicas visam controlar os sintomas e/ou reduzir o volume uterino, incluindo AINEs, contraceptivos hormonais, análogos do GnRH e moduladores seletivos do receptor de progesterona. O conhecimento dessas opções é crucial para oferecer um plano de tratamento individualizado e eficaz.
Os principais sintomas incluem sangramento uterino anormal (menorragia, menometrorragia), dismenorreia (cólicas menstruais intensas), dor pélvica crônica, sintomas compressivos (urinários ou intestinais) e infertilidade, dependendo do tamanho e localização dos miomas.
O ultrassom pélvico é o método de imagem de primeira linha para o diagnóstico de miomas, permitindo identificar a presença, número, tamanho e localização dos nódulos miometriais, além de avaliar o volume uterino e a espessura endometrial. É crucial para diferenciar miomas de outras patologias pélvicas.
As opções de tratamento clínico incluem anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) para dor, contraceptivos hormonais para controle do sangramento, análogos do GnRH (como acetato de leuprolida) para reduzir o volume uterino temporariamente, e moduladores seletivos do receptor de progesterona (como ulipristal) para controle do sangramento e redução do tamanho dos miomas.
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