HNMD - Hospital Naval Marcílio Dias (RJ) — Prova 2023
Os miomas uterinos estão entre as patologias mais comuns da ginecologia, acometendo 77% dos úteros analisados após histerectomias, independentemente da indicação da cirurgia. Sobre essa patologia, é correto afirmar que:
Tabagismo ↓ incidência de miomas uterinos; COCs não contraindicados; leiomiossarcomas raramente degeneram de miomas.
O tabagismo é um dos poucos fatores que demonstram uma associação inversa com a incidência de miomas uterinos, possivelmente devido a alterações nos níveis de estrogênio. Contraceptivos orais combinados não são contraindicados e podem até aliviar sintomas. A degeneração maligna de miomas para leiomiossarcomas é rara, e o crescimento rápido uterino é mais frequentemente devido a degeneração miomatosa ou gravidez do que sarcoma.
Os miomas uterinos, também conhecidos como leiomiomas, são os tumores benignos mais comuns do trato genital feminino, afetando uma parcela significativa das mulheres em idade reprodutiva. Sua etiologia é multifatorial, envolvendo fatores genéticos, hormonais (estrogênio e progesterona) e ambientais. Embora frequentemente assintomáticos, podem causar sangramento uterino anormal, dor pélvica, sintomas compressivos e infertilidade, impactando a qualidade de vida das pacientes. A fisiopatologia dos miomas está ligada à proliferação de células musculares lisas do miométrio, influenciada por hormônios ovarianos e fatores de crescimento. Fatores de risco incluem raça negra, história familiar, obesidade e nuliparidade. Curiosamente, o tabagismo é um dos poucos fatores associados à redução da incidência de miomas, possivelmente devido a um efeito antiestrogênico. O diagnóstico é primariamente clínico e confirmado por exames de imagem como ultrassonografia pélvica. O tratamento dos miomas é individualizado, guiado pelos sintomas, tamanho e localização dos miomas, idade da paciente e desejo de gestação. Opções variam desde manejo expectante para casos assintomáticos, terapia medicamentosa (análogos de GnRH, moduladores seletivos de receptores de progesterona, contraceptivos orais) para controle de sintomas, até intervenções cirúrgicas (miomectomia, histerectomia) ou procedimentos minimamente invasivos (embolização da artéria uterina). É crucial desmistificar a ideia de que miomas sempre requerem tratamento ou que contraceptivos orais são contraindicados, pois o manejo deve ser sempre baseado na apresentação clínica e nas necessidades da paciente.
Os principais fatores de risco incluem idade reprodutiva, raça negra, nuliparidade, obesidade, história familiar e menarca precoce. Curiosamente, o tabagismo e o uso de contraceptivos orais combinados são associados a uma menor incidência.
Não, o uso de contraceptivos orais combinados não é contraindicado. Eles podem ser utilizados para controlar o sangramento uterino anormal associado aos miomas e não há evidências de que estimulem significativamente o crescimento dos nódulos.
A degeneração maligna de miomas em leiomiossarcomas é extremamente rara, ocorrendo em menos de 0,5% dos casos. O crescimento uterino rápido é mais frequentemente devido a degeneração benigna do mioma ou gravidez, e não um sinal de malignidade.
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