Mioma Uterino: Opções de Tratamento para Menorragia

UFMT/HUJM - Hospital Universitário Júlio Müller - Cuiabá (MT) — Prova 2022

Enunciado

M.A.S., 38 anos, GIII/PIII/A0 3PC, laqueada, vem em consulta ambulatorial com queixa de aumento de fluxo menstrual nos últimos 6 meses em grande quantidade, com coágulos e duração de 6 dias, associado com cólicas em baixo ventre que vêm piorando nesses últimos meses. Após consulta ginecológica, paciente retorna trazendo exame de ultrassonografia solicitado: Útero AVF, Vol: 128 cm³, endométrio de 6 mm, OD: 6,7 cm³ e OE: 7,5 cm³,presença de nódulo miomatoso de 3,0 cm (FIGO-2) em parede uterina anterior.Diante do laudo ultrassonográfico, pode-se afirmar que a conduta correta é:

Alternativas

  1. A) Histeroscopia cirúrgica.
  2. B) Histerectomia total.
  3. C) Tratamento clínico medicamentoso.
  4. D) Miomectomia.

Pérola Clínica

Mioma FIGO 2 com menorragia e cólicas em paciente laqueada, sem desejo gestacional, sugere histerectomia.

Resumo-Chave

A paciente apresenta menorragia e dismenorreia importantes, com mioma submucoso (FIGO 2) de 3,0 cm. Sendo GIII/PIII/A0 e laqueada, sem desejo de gestação, a histerectomia total é uma opção definitiva e eficaz para resolver os sintomas, especialmente considerando a falha do tratamento clínico e a localização do mioma.

Contexto Educacional

Miomas uterinos são tumores benignos do miométrio, extremamente comuns em mulheres em idade reprodutiva, e podem causar uma variedade de sintomas, sendo os mais frequentes o sangramento uterino anormal (menorragia) e a dor pélvica (dismenorreia). A classificação FIGO é crucial para determinar a localização do mioma e guiar a conduta terapêutica, com os miomas submucosos (FIGO 0, 1 e 2) sendo os mais associados a sangramentos. A paciente do caso apresenta um mioma submucoso FIGO 2, com sintomas importantes de menorragia e dismenorreia que vêm piorando. O fato de ser GIII/PIII/A0 e laqueada indica que ela já tem prole completa e não deseja mais gestações, o que é um fator determinante na escolha do tratamento. Nesses casos, a preservação da fertilidade não é uma preocupação. Diante de sintomas refratários ao tratamento clínico e sem desejo de gestação, a histerectomia total emerge como a conduta mais adequada e definitiva. Embora a miomectomia (remoção apenas do mioma) seja uma opção para preservar o útero, ela não é a melhor escolha para uma paciente com prole completa e sintomas significativos, pois há risco de recorrência e de novas cirurgias. A histeroscopia cirúrgica seria mais indicada para miomas FIGO 0 ou 1, que são predominantemente intracavitários. O tratamento clínico medicamentoso geralmente é a primeira linha, mas se os sintomas persistem e são incapacitantes, uma solução cirúrgica definitiva é preferível.

Perguntas Frequentes

Qual a classificação FIGO para miomas uterinos e o que significa FIGO 2?

A classificação FIGO descreve a localização dos miomas em relação à parede uterina. O mioma FIGO 2 é um mioma submucoso, o que significa que ele tem um componente intramural significativo, mas se estende para a cavidade endometrial, com mais de 50% de sua massa dentro do miométrio e menos de 50% protrudindo para a cavidade.

Quando a histerectomia é a conduta preferencial para miomas uterinos?

A histerectomia é a conduta preferencial para miomas uterinos em pacientes com prole completa, sem desejo de gestação futura, que apresentam sintomas graves e refratários ao tratamento clínico, ou quando há miomas de grande volume, múltiplos miomas ou suspeita de malignidade. É a solução definitiva para os sintomas.

Quais as opções de tratamento para miomas uterinos submucosos?

Para miomas submucosos, as opções incluem tratamento clínico (hormonal, anti-inflamatórios), miomectomia (histeroscópica para FIGO 0, 1 e alguns FIGO 2; laparoscópica ou laparotômica para outros), embolização de artérias uterinas e, como opção definitiva para pacientes sem desejo de gestação, a histerectomia. A escolha depende do tamanho, número, localização do mioma e desejo reprodutivo da paciente.

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