SES-RJ - Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro — Prova 2024
Mulher de 40 anos de idade, G2P2, refere menstruações volumosas com aumento dos dias de fluxo e dismenorreia há 1 ano. Realizou ligadura tubária há 5 anos. Traz ultrassonografia transvaginal que evidencia útero em AVF, com volume de 210 cm³, miométrio difusamente heterogêneo, endométrio trilaminar de 9 mm, com área nodular hipoecogênica de 2 cm na cavidade endometrial. Ovários de morfologia e volume dentro da normalidade, com folículo de 19 mm no ovário direito. Qual é a provável causa do sangramento uterino anormal dessa paciente?
Mulher 40a com menorragia, dismenorreia e USG com 'área nodular hipoecogênica na cavidade endometrial' → Mioma submucoso.
A paciente apresenta sangramento uterino anormal (menorragia) e dismenorreia, sintomas comuns de patologias uterinas. A ultrassonografia transvaginal, que evidencia um útero aumentado (210 cm³) com miométrio difusamente heterogêneo (sugestivo de adenomiose) e, crucialmente, uma 'área nodular hipoecogênica de 2 cm na cavidade endometrial', aponta fortemente para um mioma submucoso. Miomas submucosos são uma causa muito comum de sangramento uterino anormal devido à sua localização na cavidade endometrial.
O mioma uterino, também conhecido como leiomioma, é o tumor benigno mais comum do trato genital feminino, afetando uma parcela significativa de mulheres em idade reprodutiva. Eles são tumores de músculo liso do útero e sua localização (submucoso, intramural ou subseroso) determina em grande parte os sintomas. Miomas submucosos, que se projetam para a cavidade endometrial, são a principal causa de sangramento uterino anormal e dismenorreia, impactando significativamente a qualidade de vida das pacientes e sendo uma causa comum de procura por atendimento ginecológico. A fisiopatologia dos miomas envolve fatores genéticos, hormonais (estrogênio e progesterona) e de crescimento. O diagnóstico é primariamente clínico, baseado nos sintomas, e confirmado por exames de imagem, sendo a ultrassonografia transvaginal o método de escolha. A descrição de uma 'área nodular hipoecogênica na cavidade endometrial' em uma paciente com menorragia e dismenorreia é altamente sugestiva de mioma submucoso. É crucial diferenciar miomas submucosos de pólipos endometriais, adenomiose e outras causas de sangramento uterino anormal para um manejo adequado. O tratamento dos miomas varia de acordo com os sintomas, tamanho, localização e desejo reprodutivo da paciente. Opções incluem manejo expectante, tratamento medicamentoso (hormonal ou não hormonal) e intervenções cirúrgicas como miomectomia (histeroscópica para miomas submucosos) ou histerectomia. Residentes devem dominar a semiologia e a interpretação de exames de imagem para diagnosticar corretamente os miomas e propor as melhores opções terapêuticas, considerando o perfil individual de cada paciente.
Os miomas submucosos são os que mais frequentemente causam sangramento uterino anormal, como menorragia (menstruações volumosas e prolongadas) e metrorragia (sangramento irregular). Podem também causar dismenorreia, dor pélvica, infertilidade e abortos de repetição devido à sua localização na cavidade endometrial, que interfere na implantação e na contração uterina.
A ultrassonografia transvaginal é o método de imagem de primeira linha para o diagnóstico de miomas. Ela permite visualizar o útero, identificar a presença, tamanho e localização dos miomas. Miomas submucosos aparecem como massas hipoecogênicas ou isoecogênicas que se projetam para a cavidade endometrial, podendo ser classificados de acordo com o grau de protrusão.
Miomas submucosos são geralmente hipoecogênicos e têm uma continuidade com o miométrio, enquanto pólipos endometriais são tipicamente hiperecogênicos (ou isoecogênicos) e se originam do endométrio, com um pedículo vascular central. Embora ambos possam causar sangramento e aparecer como lesões na cavidade, suas características ecográficas e origem tecidual são distintas.
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