Mioma Submucoso FIGO 1: Diagnóstico e Tratamento

USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2024

Enunciado

Mulher, 32 anos, G1P1 (1PN), procura atendimento ginecológico com queixa de fluxo menstrual regular, porém aumentado há 8 meses, associado a cólica de forte intensidade, com exacerbação do sangramento há 2 meses. No momento refere fraqueza e palpitação associados ao sangramento vaginal e atividade física. Ao exame físico: PA: 110x60mmHg, FC: 92bpm, abdome plano, normotenso, indolor a palpação. Especular: colo uterino sem lesões, sem sangramento ativo. Toque vaginal: útero AVF, centrado, aumentado de tamanho e palpável cerca de 3cm acima da sinfise púbica. Exames complementares: Hb: 10,3g/dl Ht: 30%, B-HCG: 2,2mUI/ml (VR: <25mUI/ml) USTV: útero AVF, centrado, volume de 180cm3 (VN: < 120cm3), com lesão nodular de 4,5cm no maior diâmetro comprometendo a cavidade endometrial (FIGO 1), ovário esquerdo de 7cm3, ovário direito de 4cm3 (VN: 3 a 9 cm3) (vide figura) Imagem: Ultrassonografia transvaginal Considerando-se a hipótese diagnóstica mais provável, qual a conduta mais apropriada neste momento para a paciente?

Alternativas

  1. A) Embolização arterial.
  2. B) DIU de levonorgestrel (52mg).
  3. C) Histeroscopia cirúrgica.
  4. D) Progestagênio IM.

Pérola Clínica

Mioma submucoso FIGO 1 com sangramento e anemia → Histeroscopia cirúrgica para remoção é a conduta inicial.

Resumo-Chave

A paciente apresenta mioma submucoso FIGO 1, que compromete a cavidade endometrial, causando sangramento uterino anormal e anemia. A histeroscopia cirúrgica é a conduta mais apropriada para remover o mioma e resolver os sintomas, sendo minimamente invasiva e preservando a fertilidade.

Contexto Educacional

Miomas uterinos são tumores benignos do miométrio, extremamente comuns em mulheres em idade reprodutiva. A sua localização é crucial para determinar os sintomas e a abordagem terapêutica. Miomas submucosos, especialmente os classificados como FIGO 1, são aqueles que se projetam significativamente para dentro da cavidade endometrial, mesmo que com um componente intramural. Eles são a principal causa de sangramento uterino anormal (SUA), incluindo menorragia e metrorragia, e podem levar à anemia ferropriva, impactando a qualidade de vida da paciente. O diagnóstico é frequentemente feito por ultrassonografia transvaginal, que pode identificar o mioma e sua relação com a cavidade. Em casos de miomas submucosos, a histeroscopia diagnóstica pode confirmar a localização e a extensão. A paciente do caso apresenta um mioma FIGO 1, com volume uterino aumentado e anemia, indicando a necessidade de intervenção. A conduta mais apropriada para miomas submucosos que causam sangramento e anemia é a miomectomia histeroscópica. Este procedimento minimamente invasivo permite a remoção do mioma através do canal cervical, sem incisões abdominais, com rápida recuperação e preservação da fertilidade. Outras opções como DIU de levonorgestrel podem ser consideradas para outros tipos de miomas ou SUA sem distorção significativa da cavidade, mas são menos eficazes para miomas submucosos grandes ou que ocupam a cavidade. A embolização arterial é uma opção para miomas intramurais ou subserosos maiores, mas geralmente não é a primeira escolha para miomas submucosos com distorção da cavidade.

Perguntas Frequentes

Quais os sintomas de mioma uterino submucoso?

Os miomas submucosos são frequentemente associados a sangramento uterino anormal, como menorragia (fluxo menstrual intenso e prolongado), metrorragia (sangramento fora do período menstrual) e dismenorreia (cólica menstrual intensa), podendo levar à anemia.

Qual a classificação FIGO para miomas?

A classificação FIGO para miomas uterinos descreve a localização do mioma em relação à parede uterina e à cavidade endometrial. O tipo 1 é um mioma submucoso com componente intramural menor que 50%, ou seja, predominantemente na cavidade.

Por que a histeroscopia cirúrgica é a melhor opção para mioma FIGO 1?

A histeroscopia cirúrgica permite a visualização direta e a remoção do mioma submucoso que se projeta na cavidade endometrial, sendo um tratamento eficaz e minimamente invasivo para resolver o sangramento e a anemia, com preservação uterina.

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