UFRGS/HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre (RS) — Prova 2024
Paciente de 34 anos engravidou há 2 anos. Na ocasião, a ultrassonografia realizada com 7 semanas revelou ovo cego. Após 2 semanas, apresentou sangramento intenso e iniciou o uso de anticoncepcional combinado oral (ACO). Há 5 meses, por desejar gestar, interrompeu o uso de ACO. À consulta, informou que seus ciclos menstruais eram regulares e que o esposo tinha 2 filhos de outro relacionamento. Trouxe ultrassonografia transvaginal (imagem abaixo) que mostrou um mioma único, de 5,0 x 6,0 cm. Referiu ter medo de novo abortamento. Com base no quadro clínico e na imagem ultrassonográfica, que conduta, dentre as abaixo, é a mais adequada?
Mioma único 5-6 cm, sem deformidade cavitária → geralmente não causa infertilidade/abortamento; tranquilizar e aguardar concepção.
Miomas uterinos, especialmente os intramurais ou subserosos de tamanho moderado (5-6 cm) que não deformam a cavidade endometrial, geralmente não são a causa de infertilidade ou abortamento. O histórico de ovo cego é uma causa comum de abortamento esporádico e não necessariamente relacionado ao mioma. A conduta inicial é tranquilizar a paciente e orientar a tentativa de concepção.
Miomas uterinos são tumores benignos muito comuns no útero, afetando uma parcela significativa de mulheres em idade reprodutiva. A relação entre miomas e infertilidade ou abortamento é complexa e depende principalmente da localização e tamanho do mioma. Miomas submucosos, que se projetam para a cavidade endometrial, são os que mais claramente impactam a fertilidade, podendo dificultar a implantação embrionária ou aumentar o risco de abortamento. Miomas intramurais grandes (geralmente acima de 5-6 cm) ou múltiplos também podem ter algum efeito, enquanto miomas subserosos, que crescem para fora do útero, raramente afetam a fertilidade. No caso apresentado, a paciente possui um mioma único de 5,0 x 6,0 cm. A imagem ultrassonográfica, embora não detalhada no enunciado, é crucial para determinar se há deformidade da cavidade endometrial. Assumindo que não há deformidade significativa (o que é comum para miomas intramurais ou subserosos desse tamanho), a probabilidade de este mioma ser a causa do abortamento anterior (ovo cego) ou da dificuldade atual de engravidar é baixa. O ovo cego é uma causa frequente de abortamento esporádico, geralmente por anomalias cromossômicas, e não está diretamente ligado a miomas. Diante de um mioma de tamanho moderado sem deformidade da cavidade uterina e um histórico de um único abortamento (ovo cego), a conduta mais adequada é tranquilizar a paciente e orientá-la a tentar a concepção espontânea. O esposo já tem filhos, o que sugere boa fertilidade masculina. A intervenção cirúrgica (histeroscopia ou laparoscopia para miomectomia) deve ser reservada para casos onde há clara evidência de que o mioma está impactando a fertilidade (ex: miomas submucosos, falha de concepção após período adequado de tentativas, exclusão de outras causas de infertilidade). Residentes devem saber diferenciar as indicações de miomectomia para preservar a fertilidade.
Os miomas submucosos, que deformam a cavidade endometrial, são os que mais impactam a fertilidade e aumentam o risco de abortamento. Miomas intramurais grandes (>5-6 cm) ou múltiplos também podem ter algum efeito, mas subserosos raramente afetam.
A conduta inicial é tranquilizar a paciente e orientar a tentativa de concepção espontânea. A intervenção cirúrgica só é considerada após um período de infertilidade ou se houver outros fatores de risco.
'Ovo cego' (gravidez anembrionária) é uma gestação em que o saco gestacional se desenvolve, mas o embrião não. É uma causa comum de abortamento espontâneo, geralmente devido a anomalias cromossômicas, e não tem relação direta com a presença de miomas uterinos.
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