Mioma Uterino: Manejo da Irregularidade Menstrual

UNIRIO/HUGG - Hospital Universitário Gaffrée e Guinle - Rio de Janeiro (RJ) — Prova 2021

Enunciado

Mulher, 48 anos, refere irregularidade menstrual (fluxos intensos a cada 45-60 dias) e dismenorreia. Nega comorbidades e uso de medicamentos. Tabagista 1 maço/dia. Dois filhos parto vaginal, realizando laqueadura tubária após segundo filho. Exame clínico normal. IMC: 21,2 Kg/m². DUM há quatro semanas. Trouxe resultado de exames realizados há duas semanas. Preventivo: processo inflamatório moderado, negativo para malignidade. Ultrassonografia transvaginal: mioma intramural/subseroso medindo 20mm, endométrio 12mm. Hematócrito: 32%; hemoglobina: 11,2 g/dL. Qual a conduta frente à irregularidade menstrual?

Alternativas

  1. A) Pílula combinada em regime contínuo.
  2. B) Miomectomia histeroscópica.
  3. C) Terapia hormonal com progestágenos.
  4. D) Cauterizar o colo uterino.
  5. E) Histerectomia laparoscópica.

Pérola Clínica

Mulher 48a, mioma, sangramento intenso e anemia → Terapia com progestágenos para controle do sangramento.

Resumo-Chave

A paciente apresenta sangramento uterino anormal (menorragia e irregularidade menstrual) associado a mioma e anemia leve. A terapia com progestágenos é uma opção conservadora eficaz para controlar o sangramento, reduzir a dismenorreia e o espessamento endometrial, especialmente em pacientes perimenopausadas ou que desejam evitar cirurgia.

Contexto Educacional

Miomas uterinos, ou leiomiomas, são tumores benignos do músculo liso uterino, extremamente comuns em mulheres em idade reprodutiva. Embora muitos sejam assintomáticos, podem causar sangramento uterino anormal (SUA), dismenorreia, dor pélvica e sintomas compressivos, impactando a qualidade de vida. A paciente em questão, com 48 anos, apresenta irregularidade menstrual e dismenorreia, com mioma intramural/subseroso e endométrio espessado, além de anemia leve, o que sugere que os miomas estão contribuindo para o sangramento. A fisiopatologia dos miomas está ligada à resposta do miométrio aos estrogênios e progesterona. O diagnóstico é feito por ultrassonografia transvaginal. O manejo depende dos sintomas, tamanho e localização dos miomas, idade da paciente e desejo de gestação. Para sangramento uterino anormal e dismenorreia, a terapia hormonal é frequentemente a primeira linha. A terapia com progestágenos, seja oral, injetável ou através de um sistema intrauterino liberador de levonorgestrel (DIU hormonal), é uma opção eficaz para controlar o sangramento, reduzir a espessura endometrial e aliviar a dismenorreia. Em casos de falha do tratamento clínico ou sintomas mais severos, outras opções incluem embolização de artérias uterinas, miomectomia (preservando o útero) ou histerectomia (remoção do útero). A escolha da conduta deve ser individualizada, considerando os riscos e benefícios de cada abordagem.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais manifestações clínicas dos miomas uterinos?

Os miomas podem ser assintomáticos, mas quando sintomáticos, as manifestações mais comuns incluem sangramento uterino anormal (menorragia, metrorragia), dismenorreia, dor pélvica crônica, sintomas compressivos (urinários, intestinais) e infertilidade.

Por que a terapia com progestágenos é indicada para miomas?

Os progestágenos atuam antagonizando os efeitos estrogênicos no endométrio, reduzindo o sangramento uterino anormal e a dismenorreia. Eles podem ser administrados de forma contínua ou cíclica, ou através de sistemas intrauterinos liberadores de levonorgestrel.

Quando a cirurgia é considerada para miomas uterinos?

A cirurgia (miomectomia ou histerectomia) é considerada quando o tratamento clínico falha, os sintomas são graves e impactam significativamente a qualidade de vida, há crescimento rápido do mioma, ou em casos de infertilidade relacionada ao mioma.

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