INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2023
Uma paciente com 45 anos, casada, G2P2, 2 partos normais, comparece ao ambulatório de ginecologia para avaliação de resultado de ultrassonografia transvaginal que evidenciou útero em anteversoflexão, contornos regulares, miométrio heterogêneo, com pequenos miomas intramurais e subserosos, estando o maior localizado na parede posterior/fúndica, intramural, medindo 2,0 × 1,9 cm; volume uterino de 198,6 cm3 (valor do percentil 95 para a faixa etária e paridade - 136 cm3); ovários de topografia, dimensões e ecotextura usuais; endométrio centrado, regular, medindo 6,8 mm de espessura (normal para faixa etária e paridade). A paciente relata ciclos menstruais regulares de 28 dias, fluxo moderado com duração de 5 dias, nega dismenorreia ou dispareunia. Afirma que é sexualmente ativa e que o marido é vasectomizado.Para essa paciente, a conduta mais adequada é
Miomas uterinos assintomáticos, mesmo com útero volumoso, requerem apenas acompanhamento clínico e ultrassonográfico.
A conduta em miomas uterinos é guiada principalmente pela presença e intensidade dos sintomas. Pacientes assintomáticas, mesmo com achados ultrassonográficos de miomas e útero aumentado, geralmente não necessitam de intervenção cirúrgica imediata, mas sim de monitoramento periódico.
Miomas uterinos, ou leiomiomas, são os tumores benignos mais comuns do trato genital feminino, afetando cerca de 70-80% das mulheres em idade reprodutiva. Embora a maioria seja assintomática e descoberta incidentalmente em exames de imagem, sua presença pode gerar preocupação. É crucial que o residente saiba diferenciar achados incidentais de doença sintomática para evitar intervenções desnecessárias. A fisiopatologia dos miomas envolve fatores hormonais (estrogênio e progesterona) e genéticos, levando ao crescimento de massas musculares lisas no útero. Eles são classificados como submucosos, intramurais ou subserosos, e o diagnóstico é primariamente feito por ultrassonografia transvaginal. A principal indicação de tratamento não é o tamanho ou número dos miomas, mas sim a presença de sintomas como sangramento uterino anormal, dor pélvica, sintomas compressivos ou infertilidade. Para pacientes assintomáticas, a conduta mais adequada é o acompanhamento clínico e ultrassonográfico regular, monitorando o crescimento dos miomas e o surgimento de sintomas. Opções de tratamento clínico (hormonais, antifibrinolíticos) ou cirúrgico (miomectomia, histerectomia, embolização) são reservadas para casos sintomáticos ou com complicações. A decisão deve ser individualizada, considerando idade, desejo reprodutivo e gravidade dos sintomas.
O tratamento cirúrgico de miomas uterinos é indicado principalmente para pacientes sintomáticas com sangramento uterino anormal refratário ao tratamento clínico, dor pélvica crônica, sintomas compressivos ou infertilidade relacionada aos miomas.
Em pacientes com miomas assintomáticos, a ultrassonografia transvaginal pode ser repetida anualmente ou a cada 6 meses, dependendo do tamanho inicial dos miomas e da velocidade de crescimento, para monitorar o volume e o surgimento de novos miomas.
Sim, miomas uterinos, especialmente os submucosos ou grandes miomas intramurais que distorcem a cavidade uterina, podem causar infertilidade ou abortos de repetição, dificultando a implantação ou o desenvolvimento embrionário.
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