Mioma Uterino: Classificação FIGO e Implicações Clínicas

UNIRG Revalida - Universidade de Gurupi (TO) — Prova 2022

Enunciado

Mulher branca de 42 anos busca o seu consultório por queixa de dor hipogástrica. Relata ter tido a menarca com nove anos de idade, é nuligesta e nega tabagismo. Apresenta história familiar positiva para miomas. Exame físico: IMC 32 kg/m²; Útero aumentado de tamanho, irregular, firme e indolor. Realizada a ultrassonografia transvaginal, com resultado de mioma classificação Tipo 4 pela Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia (FIGO).A respeito do tema, assinale a afirmativa correta.

Alternativas

  1. A) O mioma tipo 4 é considerado como intramural e totalmente dentro do miométrio, sem extensão para a superfície endometrial nem para a serosa.
  2. B) Miomas submucosos e subserosos diminuem as taxas de fertilidade, as quais aumentam com remoção cirúrgica. Os intramurais, por outro lado, podem reduzir ligeiramente a fertilidade, mas sem aumentála após sua retirada.
  3. C) Miomas são mais comuns em mulheres brancas do que negras e tendem a aumentar de tamanho durante a gravidez por causa dos estímulos hormonais mais intensos e constantes nessa fase da vida da mulher.
  4. D) Caso se opte por tratamento clínico, deve-se realizar o uso de agonistas do hormônio de liberação da gonadotrofina (GnRH) acima de 1 ano, já que eles podem reduzir consideravelmente o tamanho do mioma, além de trazer benefícios para a densidade óssea feminina.

Pérola Clínica

Classificação FIGO de miomas: Tipo 0-2 submucosos, Tipo 3-6 intramurais, Tipo 7 subserosos, Tipo 8 outros. Tipo 4 é intramural puro.

Resumo-Chave

A classificação FIGO de miomas é um sistema padronizado que descreve a localização do mioma em relação às camadas uterinas. O mioma tipo 4 é especificamente definido como intramural, o que significa que ele está totalmente contido dentro do miométrio, sem extensão para a superfície endometrial ou para a serosa externa do útero.

Contexto Educacional

Miomas uterinos, ou leiomiomas, são os tumores benignos mais comuns do trato genital feminino, afetando uma parcela significativa de mulheres em idade reprodutiva. Sua prevalência é maior em mulheres negras e com histórico familiar. Embora benignos, podem causar sintomas como dor pélvica, sangramento uterino anormal e infertilidade, impactando significativamente a qualidade de vida e a saúde reprodutiva. O entendimento de sua classificação e manejo é fundamental para residentes de ginecologia e obstetrícia. A fisiopatologia dos miomas envolve o crescimento de células musculares lisas do miométrio sob influência hormonal, principalmente estrogênio e progesterona. A classificação FIGO (Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia) é essencial para descrever a localização dos miomas: submucosos (0-2), intramurais (3-6) e subserosos (7), com o tipo 8 para outras localizações. Essa classificação orienta a escolha do tratamento, pois miomas submucosos, por exemplo, têm maior impacto na fertilidade e sangramento. O tratamento dos miomas varia de acordo com os sintomas, tamanho, localização e desejo reprodutivo da paciente. As opções incluem manejo expectante, tratamento clínico (AINEs, contraceptivos hormonais, agonistas de GnRH por tempo limitado), e intervenções cirúrgicas (miomectomia, histerectomia) ou minimamente invasivas (embolização de artérias uterinas). A miomectomia é a cirurgia de escolha para mulheres que desejam preservar a fertilidade, enquanto a histerectomia é a solução definitiva para aquelas sem desejo reprodutivo.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para o desenvolvimento de miomas uterinos?

Os principais fatores de risco para miomas incluem idade reprodutiva, raça negra, história familiar positiva, menarca precoce, nuliparidade, obesidade e consumo excessivo de carne vermelha. Fatores hormonais, como a exposição prolongada a estrogênio, desempenham um papel crucial.

Como a classificação FIGO dos miomas influencia o tratamento e a fertilidade?

A classificação FIGO é crucial, pois miomas submucosos (Tipos 0-2) são os que mais afetam a fertilidade e causam sangramento, sendo frequentemente removidos por histeroscopia. Miomas intramurais (Tipos 3-6) podem afetar a fertilidade dependendo do tamanho e localização, enquanto os subserosos (Tipo 7) geralmente têm menor impacto, a menos que sejam muito grandes.

Quais são as opções de tratamento clínico para miomas uterinos?

O tratamento clínico para miomas inclui anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) para dor, contraceptivos orais para controle do sangramento, e agonistas do GnRH para reduzir o tamanho do mioma temporariamente. Os agonistas do GnRH não devem ser usados por mais de 6 meses devido ao risco de perda de densidade óssea e efeitos colaterais menopausais.

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