UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2022
Mulher, 35 anos, nuligesta, está tentando engravidar, há 3 meses. Refere aumento da duração de sua menstruação de 3 para 7 dias, associada a aumento do fluxo menstrual, com necessidade de uso de absorventes noturnos por pelo menos 5 dias do fluxo. As queixas iniciaram há 6 meses, com piora progressiva. US transvaginal: imagem corporal, posterior, nodular, hipoecogênica, intramural, rechaçando o endométrio anteriormente, medindo 3cm. Vídeohisteroscopia diagnóstica: mioma posterior, FIGO 1. A opção terapêutica mais adequada é:
Mioma submucoso FIGO 1 com desejo gestacional e menorragia → miomectomia histeroscópica é a conduta ideal.
Miomas submucosos (FIGO 1) são os que mais frequentemente causam sangramento uterino anormal e infertilidade. Em pacientes jovens com desejo de engravidar, a miomectomia histeroscópica é a técnica de escolha por ser minimamente invasiva, preservar o útero e remover efetivamente o mioma que distorce a cavidade endometrial.
Miomas uterinos, ou leiomiomas, são os tumores benignos mais comuns do trato genital feminino, afetando uma grande porcentagem de mulheres em idade reprodutiva. Eles são classificados de acordo com sua localização no útero, sendo os miomas submucosos (que se projetam para a cavidade uterina) os que mais frequentemente causam sintomas como sangramento uterino anormal (menorragia) e infertilidade. A classificação FIGO (0 a 8) detalha essa localização, sendo o FIGO 1 um mioma submucoso com componente intramural menor que 50%. A paciente em questão, jovem e com desejo gestacional, apresenta menorragia progressiva e um mioma submucoso FIGO 1 que rechaça o endométrio. Este tipo de mioma é classicamente associado a dificuldades de concepção e manutenção da gravidez, além de ser uma causa comum de sangramento. A abordagem terapêutica deve visar a remoção do mioma, a melhora dos sintomas e a preservação da fertilidade. A miomectomia histeroscópica é a opção terapêutica mais adequada para miomas submucosos (especialmente FIGO 0, 1 e alguns 2) em pacientes que desejam engravidar. Este procedimento minimamente invasivo permite a remoção do mioma através da vagina e colo uterino, sem incisões abdominais, preservando a integridade uterina e melhorando as chances de concepção. Outras opções, como miomectomia laparoscópica ou histerectomia, seriam menos apropriadas para este cenário, seja pela invasividade ou pela remoção do útero, respectivamente.
A classificação FIGO (Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia) categoriza os miomas pela sua localização em relação ao endométrio e miométrio, sendo crucial para definir a via cirúrgica mais adequada e o impacto na fertilidade.
Miomas submucosos distorcem a cavidade endometrial, interferindo na implantação do embrião e na contratilidade uterina, o que pode levar à infertilidade e sangramento uterino anormal (menorragia).
A miomectomia histeroscópica é minimamente invasiva, não requer incisão abdominal, preserva o útero e tem um tempo de recuperação mais rápido, sendo ideal para pacientes que desejam engravidar.
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