SES-GO - Secretaria de Estado de Saúde de Goiás — Prova 2020
Mulher de 33 anos, nuligesta, apresenta sangramento uterino anormal caracterizado por aumento da quantidade e duração, associado a dismenorreia secundária. A ultrassonografia mostra mioma em parede lateral direita do 1/3 inferior do útero, com maior diâmetro de 2cm, com penetração de 20% no miométrio e base de 1/3 (Score=1, classificação STEP=w). Diante deste quadro, a opção terapêutica é:
Mioma submucoso (STEP=w, Score=1) com sintomas → Ressecção histeroscópica é a conduta de escolha.
O mioma submucoso, mesmo pequeno (2cm) e com pouca penetração miometrial (20%, classificação STEP=w ou tipo 0/1 da FIGO), é a principal causa de sangramento uterino anormal e dismenorreia. Em pacientes sintomáticas, a ressecção histeroscópica é o tratamento de escolha, por ser minimamente invasiva e eficaz.
Miomas uterinos são tumores benignos do miométrio, sendo os submucosos (aqueles que se projetam para a cavidade uterina) os mais associados a sangramento uterino anormal (SUA) e dismenorreia, mesmo quando pequenos. A paciente do caso apresenta SUA e dismenorreia secundária, sintomas clássicos de mioma submucoso. A ultrassonografia descreve um mioma de 2cm, com 20% de penetração no miométrio e base de 1/3, o que corresponde a um mioma tipo 0 ou 1 da FIGO (Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia) ou um baixo score na classificação STEP, indicando que a maior parte do mioma está na cavidade uterina. Para miomas submucosos sintomáticos, especialmente em pacientes que desejam preservar a fertilidade ou evitar cirurgias mais invasivas, a ressecção histeroscópica é a opção terapêutica de escolha. Este procedimento minimamente invasivo permite a remoção do mioma através do colo uterino, utilizando um histeroscópio, com excelentes resultados no controle dos sintomas e menor tempo de recuperação em comparação com a miomectomia tradicional (laparotômica ou laparoscópica). O uso de anticoncepcionais orais pode aliviar os sintomas, mas não remove o mioma. Análogos do GnRH podem reduzir o tamanho do mioma temporariamente, mas são usados principalmente para miomas maiores antes da cirurgia, não sendo a primeira linha para um mioma pequeno e acessível. A miomectomia tradicional é mais invasiva e geralmente reservada para miomas maiores, múltiplos ou em localizações que impedem a histeroscopia. Portanto, a ressecção histeroscópica é a conduta mais adequada para este caso específico.
A classificação STEP (Sistema de Avaliação Transcervical para Miomas) é um sistema de pontuação que avalia a viabilidade da ressecção histeroscópica de miomas submucosos, considerando o tamanho, a extensão intramural e a localização. Um score baixo (como 1) indica alta probabilidade de sucesso da histeroscopia.
A ressecção histeroscópica é preferencial porque é um procedimento minimamente invasivo, que permite a remoção do mioma através do canal cervical, sem incisões abdominais. É altamente eficaz para controlar o sangramento uterino anormal e a dismenorreia causados por miomas submucosos, com rápida recuperação.
Miomas submucosos com menor diâmetro (<5cm), menor componente intramural (penetração <50% no miométrio, como os tipos 0 e 1 da FIGO ou baixo score STEP), e que são acessíveis via histeroscopia são excelentes candidatos para a ressecção histeroscópica.
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