Hospital Alemão Oswaldo Cruz (SP) — Prova 2021
Mulher, 28 anos, nuligesta, uso de preservativo, refere ciclos menstruais com fluxo intenso e que progressivamente vêm durando maior número de dias, em maior quantidade e com saída de coágulos, além de cólica intensa. Apresenta-se descorada 2+/4+, PA 90/60 mmHg, FC 90 bpm. Ao exame ginecológico, apresenta genitais externos sem alteração, exame especular com paredes vaginais sem alteração, colo uterino epitelizado, sem sinais de sangramento no momento; o toque vaginal revela útero de volume normal, não doloroso à mobilização, regiões anexiais livres. Considerando os achados clínicos, qual é a principal hipótese diagnóstica?
Mulher jovem, nuligesta, SUA com coágulos e cólica intensa, útero normal ao toque → Suspeitar de mioma submucoso.
Em uma mulher jovem e nuligesta com sangramento uterino anormal, fluxo intenso, coágulos e cólica intensa, mas com útero de volume normal ao toque, a principal hipótese é o mioma submucoso. Este tipo de mioma, mesmo pequeno, pode causar sangramento significativo por distorcer a cavidade endometrial.
O sangramento uterino anormal (SUA) é uma queixa ginecológica comum que afeta mulheres em idade reprodutiva, impactando sua qualidade de vida. Em mulheres jovens e nuligestas, a investigação deve ser minuciosa para identificar causas estruturais e não estruturais. Miomas uterinos, especialmente os submucosos, são uma causa importante de SUA e devem ser considerados. Miomas submucosos são leiomiomas que se projetam para a cavidade endometrial. Mesmo pequenos, podem causar sangramento intenso (menorragia) e cólica devido à distorção da cavidade uterina e alterações na vascularização e função endometrial. É crucial notar que o toque vaginal pode ser normal, pois o volume uterino total pode não estar aumentado, o que pode levar a um diagnóstico tardio se não houver alta suspeição. O diagnóstico é feito por ultrassonografia transvaginal, que pode ser complementada por histerossonografia ou histeroscopia para melhor visualização da cavidade uterina. O tratamento depende do desejo de fertilidade da paciente, da gravidade dos sintomas e do tamanho do mioma, podendo variar de manejo clínico (hormonal) a cirúrgico (miomectomia histeroscópica, que é o tratamento de escolha para miomas submucosos, ou, em casos selecionados, histerectomia).
Os sintomas mais comuns são sangramento uterino anormal, como menorragia (fluxo menstrual intenso e prolongado) e metrorragia (sangramento irregular), que pode ser abundante com coágulos, além de dismenorreia (cólica menstrual intensa) e anemia secundária.
Miomas submucosos crescem na cavidade uterina, distorcendo o endométrio e interferindo na sua capacidade de coagulação e regeneração normal. Isso leva a sangramentos prolongados e abundantes, mesmo que o mioma seja de pequeno volume.
A ultrassonografia transvaginal é o exame inicial. A histerossonografia (ultrassonografia com infusão salina) e a histeroscopia são mais precisas para avaliar a cavidade uterina e confirmar a presença de miomas submucosos, diferenciando-os de pólipos.
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