Mioma Submucoso: Melhor Opção Terapêutica para Sangramento

IFF/Fiocruz - Instituto Fernandes Figueira (RJ) — Prova 2022

Enunciado

Marília, 45 anos, procurou consulta ginecológica ambulatorial por queixa de sangramento. Refere sangramento menstrual aumentado durando cerca de 10 dias, com eliminação de coágulos. Não deseja gestar. DUM: 15 dias. Foi solicitado ultrassonografia mostrando útero em AVF, medindo 100x45x50 mm, mioma submucoso com 3 cm e outro subseroso posterior medindo 4 cm. Eco endometrial com 5 mm. Ovários sem alterações. Exame físico sem alterações significativas, exceto por mucosas hipocoradas 1+/4. Qual a melhor opção terapêutica para Marília?

Alternativas

  1. A) Histerectomia via vaginal.
  2. B) Miomectomia laparoscópica.
  3. C) Embolização das artérias uterinas.
  4. D) Miomectomia histeroscópica.
  5. E) Histerectomia robótica.

Pérola Clínica

Mioma submucoso sintomático (sangramento) → miomectomia histeroscópica é a melhor opção para preservar útero.

Resumo-Chave

Para miomas submucosos que causam sangramento uterino anormal, a miomectomia histeroscópica é a melhor opção terapêutica. Este procedimento é minimamente invasivo, remove o mioma diretamente da cavidade uterina e é altamente eficaz para controlar o sangramento, especialmente quando a paciente não deseja gestar, mas quer preservar o útero.

Contexto Educacional

Miomas uterinos são tumores benignos do miométrio, extremamente comuns em mulheres em idade reprodutiva. Eles são classificados de acordo com sua localização: submucosos (projetam-se para a cavidade uterina), intramurais (dentro da parede muscular) e subserosos (projetam-se para a superfície externa do útero). A sintomatologia varia conforme o tipo e tamanho do mioma, sendo o sangramento uterino anormal (SUA) o sintoma mais comum associado aos miomas submucosos, devido à sua proximidade com o endométrio e à alteração da cavidade uterina. A paciente do caso apresenta um mioma submucoso de 3 cm e sangramento abundante, o que é uma indicação clara para intervenção. A ultrassonografia é o método de imagem inicial para o diagnóstico de miomas. No caso de miomas submucosos, a histeroscopia diagnóstica pode ser útil para confirmar a localização e extensão intracavitária. A miomectomia histeroscópica é considerada a melhor opção terapêutica para miomas submucosos sintomáticos, especialmente aqueles com componente intracavitário significativo (tipo 0, I e II), pois permite a remoção do mioma através da vagina e colo uterino, sem incisões abdominais. É um procedimento minimamente invasivo, com rápida recuperação e alta eficácia no controle do sangramento, preservando o útero. Outras opções terapêuticas para miomas incluem tratamento clínico (hormonal), embolização das artérias uterinas (EAU), miomectomia laparoscópica ou laparotômica (para miomas intramurais ou subserosos maiores) e histerectomia. A escolha da conduta depende de fatores como o tipo, tamanho e número de miomas, desejo de gestar, idade da paciente e intensidade dos sintomas. No caso apresentado, a paciente não deseja gestar, mas a miomectomia histeroscópica oferece uma solução eficaz para o sangramento sem a necessidade de uma cirurgia mais invasiva como a histerectomia, sendo a opção mais adequada para o mioma submucoso sintomático.

Perguntas Frequentes

Qual a principal indicação da miomectomia histeroscópica?

A miomectomia histeroscópica é a principal indicação para miomas submucosos que causam sangramento uterino anormal (menorragia, metrorragia) ou infertilidade, especialmente quando o mioma tem um componente intracavitário significativo.

Por que o mioma submucoso causa mais sangramento que outros tipos?

Miomas submucosos, por se projetarem para dentro da cavidade uterina, podem alterar a vascularização endometrial, interferir na contração uterina durante a menstruação e aumentar a área de superfície endometrial, resultando em sangramento mais intenso e prolongado.

Quais são as alternativas de tratamento para miomas uterinos?

As alternativas incluem tratamento clínico (hormonal, anti-inflamatórios), embolização das artérias uterinas (para miomas maiores ou múltiplos), miomectomia (histeroscópica, laparoscópica ou laparotômica) e, em último caso, histerectomia, especialmente para pacientes sem desejo de gestar e com sintomas refratários.

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