UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2025
Um estudo seccional foi realizado para avaliar o desempenho da dosagem sérica de mioglobina (MgB), de creatinofosfoquinase (CK) e da sua fração MB (CK-MB) no diagnóstico de infarto agudo do miocárdio (IAM). Ao longo de seis meses, foram selecionados 234 pacientes com dor torácica não traumática, atendidos em um Setor de Emergência Cardiológica com até seis horas de evolução desde o início dos sintomas. Pontos de corte adotados para o diagnóstico de IAM: MgB = 70g/L; CK = 58U/L para mulheres e 70U/L para homens; CK-MB = 10U/L com relação CK-MB/CK total > 6. Os exames foram realizados em um único laboratório, seguindo-se o protocolo de controle de qualidade estabelecido pelos pesquisadores. Os resultados do estudo são apresentados a seguir.Baseado nas estimativas das razões de verossimilhança para o teste negativo e para o teste positivo, apresentadas, em relação ao desempenho dos testes no diagnóstico de IAM, pode-se afirmar que a:
MgB ↑ precocemente (1-4h) no IAM → alta sensibilidade inicial. CK-MB e CK ↑ mais tardiamente.
A mioglobina (MgB) é um marcador de necrose muscular que se eleva muito precocemente no infarto agudo do miocárdio (IAM), geralmente dentro de 1 a 4 horas do início dos sintomas. Essa característica confere à MgB uma alta sensibilidade para o diagnóstico precoce de IAM, superando a CK e CK-MB nas primeiras 6 horas de evolução.
O diagnóstico rápido e preciso do infarto agudo do miocárdio (IAM) é crucial para o manejo e prognóstico do paciente. A dosagem de biomarcadores cardíacos desempenha um papel fundamental nesse processo, e o conhecimento de suas cinéticas de elevação e características de sensibilidade e especificidade é indispensável para residentes e estudantes de medicina. Em situações de emergência cardiológica, a escolha do marcador adequado pode guiar a conduta e otimizar o tempo-porta-balão ou tempo-porta-agulha. A mioglobina (MgB) é um dos primeiros marcadores a se elevar após a lesão miocárdica, conferindo-lhe alta sensibilidade nas primeiras 6 horas do evento. Contudo, sua baixa especificidade, devido à presença em outros tecidos musculares, limita seu uso isolado para confirmação diagnóstica. A creatinofosfoquinase (CK) e sua fração MB (CK-MB) também são marcadores importantes, com a CK-MB apresentando maior especificidade cardíaca e elevação um pouco mais tardia que a mioglobina, mas ainda útil no contexto agudo. Atualmente, as troponinas cardíacas (T e I) são consideradas o padrão-ouro devido à sua alta sensibilidade e especificidade para lesão miocárdica. No entanto, em cenários de apresentação muito precoce, a mioglobina ainda pode ser relevante para um rastreamento inicial. É essencial que o médico compreenda as vantagens e limitações de cada biomarcador para uma interpretação correta e um manejo clínico eficaz do paciente com suspeita de IAM.
A mioglobina (MgB) é o marcador cardíaco que se eleva mais precocemente no infarto agudo do miocárdio, geralmente dentro de 1 a 4 horas após o início dos sintomas, conferindo-lhe alta sensibilidade para o diagnóstico nas primeiras horas.
A mioglobina tem alta sensibilidade porque é liberada rapidamente na necrose muscular, incluindo a cardíaca. No entanto, sua especificidade é baixa porque também é liberada em lesões de outros músculos esqueléticos, não sendo exclusiva do miocárdio.
A CK-MB é uma isoenzima da creatinofosfoquinase mais específica para o músculo cardíaco do que a CK total. Ela se eleva um pouco mais tardiamente que a mioglobina (4-6 horas), mas é mais específica e útil para o diagnóstico de IAM, especialmente quando associada a troponinas.
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