Contração de Feridas: O Papel dos Miofibroblastos no Reparo

MedEvo Ciclo Básico — Prova 2025

Enunciado

Um homem de 38 anos é submetido a uma exérese de um nevo displásico extenso na região interescapular. Devido à alta tensão local e ao risco de deiscência, o cirurgião opta pelo fechamento por segunda intenção. Após 14 dias, durante o acompanhamento ambulatorial, observa-se que o leito da ferida está preenchido por tecido de granulação saudável, mas o que mais chama a atenção é que a área total da ferida reduziu-se em aproximadamente 30% em comparação ao tamanho original, com as bordas da pele sendo puxadas em direção ao centro da lesão. Esse fenômeno de aproximação centrípeta das bordas, essencial na cicatrização de feridas abertas, é mediado primordialmente por células que apresentam qual das seguintes características?

Alternativas

  1. A) Atividade fagocítica intensa e secreção de citocinas pró-inflamatórias como TNF-alfa e IL-1.
  2. B) Diferenciação fenotípica induzida por TGF-beta com expressão citoplasmática de alfa-actina de músculo liso (α-SMA).
  3. C) Produção exclusiva de colágeno tipo IV para restauração da lâmina basal na junção dermoepidérmica.
  4. D) Migração lateral a partir dos anexos cutâneos remanescentes com perda de adesão intercelular via desmossomos.

Pérola Clínica

A contração da ferida é mediada por miofibroblastos e reduz o tamanho da lesão, mas em superfícies flexoras pode causar contraturas cicatriciais que limitam o movimento.

Contexto Educacional

A cicatrização por segunda intenção ocorre em feridas cujas bordas não são aproximadas cirurgicamente, exigindo a formação de uma grande quantidade de tecido de granulação. Um dos fenômenos mais marcantes desse processo é a contração da ferida, que pode reduzir a área lesionada significativamente. Esse processo é distinto da reepitelização, que é a migração de queratinócitos sobre a superfície. Os protagonistas da contração são os miofibroblastos. Essas células surgem a partir de fibroblastos residentes sob a influência de estresse mecânico e citocinas, principalmente o TGF-beta. Caracterizam-se pela expressão citoplasmática de alfa-actina de músculo liso (α-SMA), permitindo que exerçam força tênsil sobre a matriz extracelular, aproximando as bordas da pele de forma centrípeta. Na prática clínica, entender esse mecanismo é vital para o manejo de feridas extensas e para a prevenção de contraturas cicatriciais. Enquanto a contração ajuda no fechamento, o excesso de atividade miofibroblástica pode levar a cicatrizes hipertróficas ou limitações funcionais em áreas articulares. O tecido de granulação, rico em novos vasos e fibroblastos, fornece o suporte estrutural necessário para essa atividade celular.

Perguntas Frequentes

Qual a diferença entre um fibroblasto comum e um miofibroblasto?

O miofibroblasto expressa alfa-actina de músculo liso (α-SMA), o que lhe confere capacidade contrátil semelhante à de uma célula muscular, enquanto o fibroblasto comum foca principalmente na síntese de matriz extracelular.

O que estimula a formação dos miofibroblastos?

O principal estímulo é a citocina TGF-beta 1, liberada por macrófagos e plaquetas, além da própria tensão mecânica presente no ambiente da ferida.

Quando os miofibroblastos desaparecem da ferida?

Uma vez que a ferida é fechada e a tensão mecânica diminui, os miofibroblastos geralmente sofrem apoptose (morte celular programada). Se eles persistirem, podem causar cicatrizes hipertróficas ou queloides.

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