Fundhacre - Fundação Hospital Estadual do Acre — Prova 2015
Lactente de seis meses de vida, nascido em Rio Branco, sem intercorrências perinatais, com APGAR de 8 e 9, respectivamente no 1º e 5º minutos, bom ganho ponderal e em aleitamento materno exclusivo. Deu entrada na UTI pediátrica com quadro de insuficiência cardíaca congestiva classe funcional IV, em mal estado geral, com má perfusão periférica e pulsos finos. Os pais referiram quadro de rinorreia hialina há aproximadamente 3 semanas, com picos febris isolados, tosse e poucos episódios de diarreia na primeira semana. A criança havia sido levada ao pronto atendimento para avaliação em três ocasiões, porém liberada para tratamento domiciliar com sintomáticos. O lactente evoluiu com taquicardia supraventricular sustentada com grave instabilidade hemodinâmica e óbito em 3 horas após admissão. Assinale a hipótese mais provável.
Lactente com pródromos virais + ICC grave + arritmia = Miocardite viral.
O quadro de um lactente com história de infecção viral prévia (rinorreia, febre, tosse, diarreia) evoluindo rapidamente para insuficiência cardíaca grave, choque e arritmia fatal é altamente sugestivo de miocardite viral, uma causa importante de cardiomiopatia aguda em crianças.
A miocardite viral é uma inflamação do miocárdio causada por uma infecção viral, sendo uma das principais causas de cardiomiopatia adquirida em crianças e de insuficiência cardíaca aguda em lactentes. A epidemiologia mostra que enterovírus e adenovírus são os patógenos mais frequentemente implicados. É crucial para o residente reconhecer a rápida deterioração clínica que pode ocorrer. A fisiopatologia envolve dano direto ao miocárdio pelo vírus e uma resposta inflamatória imune. O diagnóstico é desafiador devido aos sintomas iniciais inespecíficos, que mimetizam infecções virais comuns. A suspeita deve surgir quando há pródromos virais seguidos por sinais de disfunção cardíaca, como taquicardia, taquipneia, má perfusão, hepatomegalia e, em casos graves, choque cardiogênico e arritmias. O tratamento é primariamente de suporte, focando na estabilização hemodinâmica, manejo da insuficiência cardíaca com diuréticos e inotrópicos, e controle de arritmias. Em casos de choque refratário, terapias avançadas como ECMO podem ser necessárias. O prognóstico varia, com alguns pacientes se recuperando completamente e outros evoluindo para cardiomiopatia dilatada crônica ou óbito.
Os agentes mais comuns incluem enterovírus (especialmente Coxsackievírus B), adenovírus, parvovírus B19, vírus influenza e, mais recentemente, SARS-CoV-2.
Em lactentes, a miocardite pode apresentar-se com pródromos virais inespecíficos (febre, tosse, diarreia) seguidos por sinais de insuficiência cardíaca (taquipneia, dificuldade alimentar, má perfusão, hepatomegalia) e, em casos graves, choque cardiogênico e arritmias.
O tratamento é de suporte, visando estabilizar o paciente. Inclui suporte ventilatório, inotrópicos para melhorar a função cardíaca, diuréticos para reduzir a congestão e manejo de arritmias. Em casos refratários, pode ser necessário suporte circulatório mecânico.
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