SMS Piracicaba - Secretaria Municipal de Saúde de Piracicaba (SP) — Prova 2019
Paciente de 40 anos cursou com tosse com expectoração clara, febre de 38° C e mialgia há 3 dias, sendo avaliado em Unidade de Saúde de Família (USF) e tratado com sintomáticos, paracetamol e loratadina. Após 1 semana houve piora do quadro, com dispneia, ortopneia, inapetência, edema de membros inferiores 2+/4, sendo internado para investigação. Hemograma com leucocitose (70% linfócitos e 2% eosinófilos), creatinina 1,2 mg/dl, Na 138 mEq/l, K 3.,5 mEq/l, albumina 3.0 g/dl, Urina I com proteínas + / 4+, microalbuminúria 300 mg/24h, anti-DNA negativo. RX de tórax com aumento das câmaras cardíacas e ecocardiograma com hipocinesia difusa, fração de ejeção 25%. Recebeu tratamento clínico com melhora após 2 semanas. Considerando o quadro exposto, qual hipótese mais provável?
Piora súbita de quadro gripal com IC aguda e disfunção ventricular grave → Miocardite viral.
A miocardite viral frequentemente se manifesta após uma infecção viral, com sintomas inespecíficos que progridem para insuficiência cardíaca aguda. A presença de disfunção ventricular grave e linfocitose em um contexto de infecção recente é altamente sugestiva.
A miocardite viral é uma inflamação do miocárdio, geralmente desencadeada por infecções virais, sendo uma causa importante de insuficiência cardíaca aguda, especialmente em jovens. Sua epidemiologia varia, mas é uma condição que exige alta suspeição clínica devido ao potencial de rápida deterioração e morbimortalidade. É crucial para o residente reconhecer seus padrões de apresentação. A fisiopatologia envolve a invasão viral direta e/ou uma resposta imune desregulada que danifica os miócitos. O diagnóstico é desafiador, baseando-se em uma combinação de achados clínicos (sintomas gripais prévios, dispneia, dor torácica), eletrocardiográficos (alterações de repolarização, arritmias), laboratoriais (elevação de troponinas, leucocitose com linfocitose) e ecocardiográficos (disfunção ventricular, hipocinesia difusa). A biópsia endomiocárdica é o padrão-ouro, mas sua indicação é restrita. O tratamento da miocardite é principalmente de suporte, visando estabilizar a insuficiência cardíaca e arritmias, com diuréticos, inotrópicos e vasodilatadores conforme a necessidade. Em casos graves, pode ser necessário suporte circulatório mecânico. O prognóstico é variável, com alguns pacientes apresentando recuperação completa da função ventricular, enquanto outros evoluem para cardiomiopatia dilatada crônica. A atenção aos sinais de alerta e o manejo precoce são fundamentais.
A miocardite viral pode iniciar com sintomas gripais (febre, mialgia, tosse) e progredir para dispneia, ortopneia, dor torácica e sinais de insuficiência cardíaca, como edema e fadiga.
O diagnóstico é baseado na clínica, exames laboratoriais (marcadores cardíacos, leucocitose com linfocitose), eletrocardiograma, radiografia de tórax e ecocardiograma (disfunção ventricular). A biópsia endomiocárdica é o padrão-ouro, mas raramente indicada.
Os diferenciais incluem outras causas de insuficiência cardíaca aguda (ex: infarto agudo do miocárdio, cardiomiopatia de estresse), doenças autoimunes com envolvimento cardíaco e sepse.
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