HIAE/Einstein - Hospital Israelita Albert Einstein (SP) — Prova 2023
Lactente 4 meses de idade, previamente hígido, há 1 semana apresentou quadro de coriza, tosse e febre baixa. Hoje com dificuldade para mamar, fazendo pausas, parecendo cansado. Ao exame físico, REG, agitado, palidez leve, hidratado, anictérico, acianótico, T: 36 °C. FR: 60 ipm, SatO2: 93% em ar ambiente. Ausculta cardíaca com bulhas rítmicas normofonéticas em 2 tempos sem sopros. FC: 162 bpm, PA: 90 × 40 mmHg, pulsos periféricos finos, tempo de enchimento capilar de 3 segundos; ausculta pulmonar com estertores em ambas as bases, tiragem subdiafragmática leve. Abdome globoso, flácido, indolor, fígado 4 cm RCD, baço não palpável. A hipótese diagnóstica mais provável para este paciente, dentre as seguintes, é:
Lactente com infecção viral prévia + taquicardia, pulsos finos, TPC > 3s, hepatomegalia, desconforto respiratório → Miocardite com insuficiência cardíaca.
O lactente apresenta um quadro de infecção viral prévia (coriza, tosse, febre baixa) seguido por sinais de disfunção cardíaca: taquicardia (FC 162 bpm), pulsos periféricos finos, tempo de enchimento capilar prolongado (3s), hipotensão (PA 90x40 mmHg) e hepatomegalia (fígado 4 cm RCD), além de desconforto respiratório. Essa constelação de sintomas é altamente sugestiva de miocardite, que pode levar a insuficiência cardíaca e choque cardiogênico em lactentes.
A miocardite pediátrica é uma inflamação do miocárdio, frequentemente desencadeada por infecções virais, que pode levar à disfunção ventricular e insuficiência cardíaca em crianças. Em lactentes, é uma causa importante de morbimortalidade e deve ser prontamente reconhecida. A epidemiologia mostra que enterovírus e adenovírus são patógenos comuns. O diagnóstico da miocardite em lactentes é desafiador devido à inespecificidade dos sintomas iniciais, que podem mimetizar outras infecções virais. No entanto, a progressão para sinais de insuficiência cardíaca, como taquicardia persistente, pulsos finos, tempo de enchimento capilar prolongado, hipotensão, hepatomegalia e desconforto respiratório, deve levantar forte suspeita. Exames complementares como ECG, ecocardiograma e biomarcadores cardíacos são essenciais para a confirmação. O manejo da miocardite visa o suporte hemodinâmico e o tratamento da insuficiência cardíaca, podendo incluir diuréticos, inotrópicos e, em casos graves, suporte circulatório mecânico. O prognóstico é variável, e o reconhecimento precoce é fundamental para otimizar os resultados, evitando complicações graves como o choque cardiogênico.
Após uma infecção viral, a miocardite em lactentes pode se manifestar com taquicardia persistente, pulsos periféricos finos, tempo de enchimento capilar prolongado, hipotensão, dificuldade para mamar, irritabilidade, hepatomegalia e sinais de desconforto respiratório.
A hepatomegalia na miocardite com insuficiência cardíaca ocorre devido à congestão venosa sistêmica. O coração, incapaz de bombear o sangue eficientemente, causa um acúmulo de sangue no sistema venoso, resultando no aumento do fígado.
Embora a miocardite possa causar desconforto respiratório, a presença de sinais de disfunção cardíaca (taquicardia, pulsos finos, TPC prolongado, hipotensão, hepatomegalia) é crucial para diferenciá-la de condições puramente respiratórias como bronquiolite ou pneumonia, onde os sinais cardíacos são secundários ou ausentes.
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