FAA/UNIFAA - Hospital Escola Luiz Gioseffi Jannuzzi (RJ) — Prova 2015
Lactente, 8 meses, dá entrada no PSI com dispneia e taquipneia de início há 24 horas. Mãe refere episódio de gastroenterite aguda há cerca de 10 dias tratada somente com sais de reidratação oral e zinco. Ao exame: dormindo, corado, hidratado, acianótico, taquipneico (70 irpm) taquicárdico (150 bpm). Pulmões limpos. RCR3T, BNF, sem sopros, fígado há 4 cm do RCD, sem edema de membros inferiores, mas com perfusão capilar periférica lentificada. Principal hipótese diagnóstica:
Lactente com dispneia, taquicardia, RCR3T, hepatomegalia e perfusão lentificada pós-gastroenterite → Miocardite.
A miocardite em lactentes pode se apresentar com sintomas inespecíficos como dispneia e taquipneia, muitas vezes precedida por infecção viral (gastroenterite ou respiratória). Sinais de insuficiência cardíaca, como taquicardia, ritmo de galope (RCR3T), hepatomegalia e má perfusão periférica, são cruciais para o diagnóstico diferencial.
A miocardite pediátrica é uma inflamação do miocárdio, frequentemente de etiologia viral, que pode levar à disfunção ventricular e insuficiência cardíaca. Em lactentes, a apresentação clínica pode ser insidiosa e inespecífica, dificultando o diagnóstico precoce. É uma causa importante de insuficiência cardíaca aguda e morte súbita em crianças, exigindo alta suspeição. O diagnóstico de miocardite deve ser suspeitado em lactentes com sintomas de dispneia, taquipneia, irritabilidade ou letargia, especialmente se houver história recente de infecção viral (respiratória ou gastrointestinal). Ao exame físico, são cruciais os sinais de insuficiência cardíaca, como taquicardia, ritmo de galope (terceira bulha), hepatomegalia, edema e sinais de má perfusão periférica (tempo de enchimento capilar lentificado). O tratamento é principalmente de suporte, visando estabilizar a função cardíaca e hemodinâmica. Inclui diuréticos para reduzir a pré-carga, inotrópicos para melhorar a contratilidade miocárdica e, em casos graves, suporte ventilatório e circulatório mecânico. O prognóstico é variável, com alguns pacientes se recuperando completamente e outros evoluindo para cardiomiopatia dilatada dilatada crônica.
Vírus são as causas mais comuns, incluindo enterovírus (Coxsackie B), adenovírus, parvovírus B19 e vírus influenza, frequentemente precedendo os sintomas cardíacos com quadros respiratórios ou gastrointestinais.
Na miocardite, apesar da dispneia e taquipneia, os pulmões são frequentemente limpos. Sinais como taquicardia desproporcional, ritmo de galope (RCR3T), hepatomegalia e má perfusão são mais indicativos de disfunção cardíaca primária.
A conduta inicial envolve estabilização hemodinâmica, suporte ventilatório se necessário, diuréticos para congestão, inotrópicos para melhorar a contratilidade miocárdica e, em casos graves, suporte circulatório mecânico. O diagnóstico definitivo requer exames complementares como ecocardiograma e biomarcadores cardíacos.
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