Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2022
Um menino de sete anos de idade foi levado ao pronto-socorro com história de febre baixa e coriza há uma semana. Há dois dias, apresenta cansaço aos pequenos esforços, dor abdominal e palpitações. Ao exame físico, está taquidispneico, gemente, com frequência cardíaca de 154 bpm, pressão arterial normal para a idade, pulsos finos e hepatomegalia. A radiografia torácica mostra cardiomegalia e o eletrocardiograma, inversão da onda T nas derivações precordiais. O ecocardiograma revela aumento de câmaras esquerdas, com disfunção sistólica de ventrículo esquerdo, sem alterações estruturais. Com base nesse caso hipotético, assinale a alternativa correta.
Miocardite pediátrica: RMC é padrão-ouro para inflamação e necrose miocárdica, essencial para diagnóstico e acompanhamento.
A ressonância magnética cardíaca (RMC) é o método de imagem mais preciso para avaliar a inflamação e necrose miocárdica na miocardite, além de quantificar volumes e função ventricular. Embora a biópsia endomiocárdica seja diagnóstica, ela é invasiva e não obrigatória em todos os casos, sendo a RMC uma ferramenta não invasiva crucial.
A miocardite aguda pediátrica é uma condição inflamatória do miocárdio que pode levar à disfunção cardíaca e insuficiência cardíaca, sendo uma causa importante de cardiomiopatia dilatada em crianças. Sua apresentação clínica é heterogênea, variando de sintomas leves e inespecíficos a quadros fulminantes com choque cardiogênico, o que torna o diagnóstico um desafio clínico. A suspeita deve surgir em crianças com sintomas virais recentes seguidos por sinais de disfunção cardíaca, como cansaço, taquipneia, palpitações e dor abdominal. O diagnóstico da miocardite baseia-se em uma combinação de achados clínicos, eletrocardiográficos (alterações de repolarização, arritmias), radiográficos (cardiomegalia), ecocardiográficos (disfunção sistólica, dilatação de câmaras) e biomarcadores (troponina, BNP). A ressonância magnética cardíaca (RMC) desempenha um papel fundamental, sendo o método de imagem mais sensível e específico para detectar inflamação e necrose miocárdica, além de fornecer informações detalhadas sobre a função e estrutura cardíaca. Os critérios de Lake Louise para RMC auxiliam no diagnóstico. O tratamento é principalmente de suporte, visando estabilizar a função cardíaca e manejar a insuficiência cardíaca, com o uso de inotrópicos, diuréticos e vasodilatadores conforme a necessidade. Em casos graves, pode ser necessário suporte circulatório mecânico. O uso de imunossupressores é controverso e geralmente reservado para tipos específicos de miocardite ou casos refratários, guiados por biópsia. O prognóstico é variável, com muitos pacientes se recuperando completamente, enquanto outros podem evoluir para cardiomiopatia crônica ou necessitar de transplante cardíaco.
Os sinais e sintomas de miocardite em crianças são variados e inespecíficos, incluindo febre, fadiga, dor abdominal, palpitações, taquipneia e, em casos mais graves, sinais de insuficiência cardíaca como hepatomegalia e cardiomegalia.
A RMC é considerada o padrão-ouro não invasivo para o diagnóstico de miocardite, permitindo a avaliação de volumes ventriculares, função sistólica e, crucialmente, a detecção de inflamação e necrose miocárdica através de sequências específicas como realce tardio com gadolínio.
A biópsia endomiocárdica é indicada em casos selecionados de miocardite fulminante, miocardite com deterioração hemodinâmica progressiva ou quando há suspeita de miocardite de células gigantes ou eosinofílica, para guiar terapias imunossupressoras específicas.
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