AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2025
Em relação aos casos de miocardite aguda na infância analise as afirmativas abaixo: I. O principal agente viral envolvido é o Coxsackie A. II. Taquicardia sinusal é a manifestação do ECG mais comum. III. O uso de imunoterapia e imunossupressão ainda não tem diretrizes claras na pediatria. Assinale a alternativa correta:
Taquicardia sinusal desproporcional à febre em crianças → suspeite de miocardite aguda.
A miocardite pediátrica apresenta-se frequentemente com taquicardia sinusal; o Coxsackie B é o vírus clássico, e o uso de imunossupressores carece de consenso em diretrizes.
A miocardite aguda na infância é uma condição desafiadora devido à sua apresentação clínica heterogênea, que varia de sintomas gripais leves a choque cardiogênico fulminante. A fisiopatologia envolve uma fase de lesão viral direta seguida por uma resposta imune secundária que pode perpetuar o dano miocárdico. O diagnóstico baseia-se na clínica, biomarcadores (Troponina/BNP), ECG e ecocardiograma, sendo a Ressonância Magnética Cardíaca o padrão-ouro não invasivo. O tratamento é predominantemente de suporte para insuficiência cardíaca, incluindo inotrópicos e, em casos graves, suporte circulatório mecânico (ECMO). A discussão sobre imunomodulação permanece ativa na literatura médica atual.
O achado eletrocardiográfico mais frequente na miocardite aguda na infância é a taquicardia sinusal. Embora alterações do segmento ST, inversão de onda T e arritmias complexas possam ocorrer, a taquicardia persistente e desproporcional ao grau de febre ou estresse é o sinal clínico e eletrocardiográfico inicial mais sensível, refletindo o comprometimento da função sistólica ou a resposta inflamatória miocárdica.
Historicamente, os enterovírus, especificamente o Coxsackie B, foram os mais isolados. Atualmente, com o uso de PCR em biópsias endomiocárdicas, o Adenovírus e o Parvovírus B19 também são frequentemente identificados como causas proeminentes de miocardite viral em crianças. É importante notar que o Coxsackie A, citado em algumas questões, é menos comum que o grupo B nesta patologia específica.
Não há diretrizes definitivas ou consensos universais sobre o uso de imunoterapia (como Imunoglobulina IV) ou imunossupressão (corticoides/azatioprina) na miocardite pediátrica. Embora alguns centros utilizem IGIV baseados em estudos observacionais que sugerem melhora da função ventricular, ensaios clínicos randomizados ainda não demonstraram benefício inequívoco, tornando a conduta dependente da gravidade clínica e protocolo institucional.
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