IDPC/Dante Pazzanese - Instituto de Cardiologia (SP) — Prova 2024
Mulher de 32 anos de idade, previamente hígida, compareceu ao ambulatório com queixa de cansaço há 15 dias. Relata que há cerca de 30 dias teve um quadro de prostração, mialgia, coriza e tosse hialina, que se resolveram espontaneamente após 10 dias. Há 15 dias a paciente passou a apresentar dispneia aos esforços habituais (como varrer a casa e lavar os pratos), associada a dispneia paroxística noturna, ortopneia e edema de membros inferiores. Há dois dias evoluiu também com quadro de dor torácica de leve intensidade (4/10), sem relação com esforço e que piora ao deitar-se e melhora ao se sentar com o tórax inclinado para a frente. Ao exame, tem sinais vitais normais, apresentando crepitações nas bases de ambos os pulmões, refluxo hepatojugular positivo e edema (3+/4+) até os joelhos bilateral, com sinal de Godet (cacifo) positivo. Qual é o exame complementar que deve ser solicitado neste momento para confirmar o diagnóstico da paciente?
Quadro viral prévio + sintomas de IC + dor torácica pleurítica → suspeitar de miocardite/pericardite aguda; RM cardíaca é padrão-ouro para diagnóstico.
A paciente apresenta um quadro sugestivo de miocardite e/ou pericardite aguda, com história de infecção viral recente, sintomas de insuficiência cardíaca (dispneia, ortopneia, edema) e dor torácica de caráter pericardítico (piora ao deitar, melhora ao sentar inclinado). A ressonância magnética cardíaca (RMC) é o exame complementar de escolha para confirmar o diagnóstico de miocardite, pois permite a visualização direta de inflamação e fibrose miocárdica, além de avaliar a função ventricular e a presença de derrame pericárdico.
A miocardite é uma doença inflamatória do miocárdio que pode levar a disfunção ventricular, arritmias e, em casos graves, insuficiência cardíaca fulminante ou cardiomiopatia dilatada crônica. Geralmente é desencadeada por infecções virais, sendo mais comum em jovens e adultos jovens. O reconhecimento precoce é crucial para o manejo adequado e para tentar prevenir a progressão da doença. A fisiopatologia envolve uma resposta imune do hospedeiro ao agente infeccioso, resultando em inflamação e dano aos miócitos. O diagnóstico pode ser desafiador devido à apresentação clínica variada, que vai desde sintomas leves e inespecíficos até choque cardiogênico. A suspeita deve ser alta em pacientes com sintomas cardíacos de início recente, especialmente após um pródromo viral. O ecocardiograma é frequentemente o primeiro exame de imagem, mas pode não ser conclusivo. A ressonância magnética cardíaca (RMC) emergiu como o padrão-ouro não invasivo para o diagnóstico de miocardite, utilizando os Critérios de Lake Louise para identificar edema e realce tardio com gadolínio. A biópsia endomiocárdica é o padrão-ouro invasivo, mas é reservada para casos específicos devido ao seu caráter invasivo e risco de complicações. O tratamento é de suporte, visando o manejo da insuficiência cardíaca e das arritmias, enquanto a inflamação se resolve. Residentes devem estar familiarizados com a apresentação clínica e as ferramentas diagnósticas para essa condição.
A miocardite aguda frequentemente se manifesta após uma infecção viral, com sintomas de insuficiência cardíaca (dispneia, fadiga, edema), arritmias e/ou dor torácica (se houver envolvimento pericárdico), em pacientes jovens sem doença coronariana prévia.
A RMC permite a detecção de edema miocárdico, hiperemia e necrose/fibrose (realce tardio com gadolínio), além de avaliar a função ventricular e a presença de derrame pericárdico, fornecendo informações detalhadas para o diagnóstico e prognóstico da miocardite, conforme os Critérios de Lake Louise.
Os diferenciais incluem síndrome coronariana aguda, embolia pulmonar, dissecção aórtica, dor musculoesquelética e outras causas de dor pleurítica. A dor na pericardite tipicamente piora com a inspiração profunda e ao deitar, e melhora ao sentar-se e inclinar-se para frente.
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