Miocardite Aguda: Diagnóstico e Tratamento Essencial

SES-GO - Secretaria de Estado de Saúde de Goiás — Prova 2023

Enunciado

Um jovem previamente hígido de 22 anos dá entrada na emergência com dor em pontada no hemitórax esquerdo e febre após 3 dias de um quadro de gastroenterocolite aguda. Ao exame físico, apresentava com FC = 70bpm, PA 100x60mmHg e Temp. 37,80 . A dosagem laboratorial de troponina foi de 2.000ng/ml (VR < 0,04ng/ml) e o eletrocardiograma foi o seguinte:Nesse caso, o tratamento adequado é o da indicação de

Alternativas

  1. A) aspirina e clopidogrel.
  2. B) anti-inflamatório não hormonal e colchicina.
  3. C) corticoesteroides e nitrato.
  4. D) heparina, aspirina e clopidogrel.

Pérola Clínica

Miocardite aguda pós-viral com dor torácica → AINEs + Colchicina.

Resumo-Chave

O quadro clínico de dor torácica, febre e elevação de troponina após infecção viral (gastroenterocolite) em jovem hígido é altamente sugestivo de miocardite aguda. O tratamento inicial para miocardite viral leve a moderada, sem sinais de choque ou disfunção ventricular grave, inclui anti-inflamatórios não hormonais e colchicina.

Contexto Educacional

A miocardite aguda é uma doença inflamatória do miocárdio, frequentemente desencadeada por infecções virais, como a gastroenterocolite mencionada no caso. É mais comum em jovens e pode apresentar um espectro clínico variado, desde quadros assintomáticos até insuficiência cardíaca fulminante e arritmias malignas. O diagnóstico é suspeitado pela tríade de sintomas (dor torácica, dispneia, fadiga), evidência de infecção recente e achados laboratoriais (elevação de troponina) e eletrocardiográficos (alterações de repolarização, arritmias). O tratamento da miocardite aguda é primariamente de suporte e visa controlar a inflamação e os sintomas. Para casos de miocardite viral leve a moderada, sem sinais de choque cardiogênico ou disfunção ventricular grave, a terapia com anti-inflamatórios não hormonais (AINEs) e colchicina é a abordagem de escolha. Os AINEs ajudam a controlar a dor torácica e a inflamação, enquanto a colchicina tem um papel anti-inflamatório e pode reduzir a recorrência, especialmente se houver componente de pericardite. É crucial diferenciar a miocardite de uma síndrome coronariana aguda, apesar da elevação da troponina. O contexto clínico (idade do paciente, ausência de fatores de risco coronariano, pródromo viral, tipo de dor torácica e ECG sem isquemia típica) é fundamental. Antiagregantes plaquetários (aspirina, clopidogrel) e anticoagulantes (heparina) são indicados para síndromes coronarianas agudas, não para miocardite viral, a menos que haja complicações como trombos intracavitários ou fibrilação atrial. Corticoesteroides são reservados para etiologias específicas de miocardite ou casos graves refratários.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais achados clínicos e laboratoriais da miocardite aguda?

A miocardite aguda frequentemente se manifesta com dor torácica (pleurítica ou anginosa), dispneia, fadiga, febre e sintomas precedentes de infecção viral. Laboratorialmente, há elevação de marcadores de necrose miocárdica, como a troponina.

Por que a colchicina é utilizada no tratamento da miocardite?

A colchicina possui propriedades anti-inflamatórias e imunomoduladoras, sendo eficaz na redução da inflamação miocárdica e na prevenção de recorrências, especialmente em casos de pericardite associada ou recorrente.

Quando considerar o uso de corticoesteroides na miocardite?

Corticoesteroides são geralmente reservados para casos específicos de miocardite com etiologia autoimune comprovada, miocardite de células gigantes, miocardite eosinofílica ou em pacientes com disfunção ventricular grave refratária ao tratamento convencional.

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