Miocardite Aguda: Diagnóstico e Evolução na RNM Cardíaca

FAMENE - Faculdade de Medicina Nova Esperança (PB) — Prova 2023

Enunciado

Homem, 35 anos, tabagista, procurou pronto-socorro com queixa de dor torácica típica de Síndrome Coronariana Aguda (SCA), sem história de pródromos virais associados. Exame físico sem alterações. Eletrocardiograma (ECG) com inversão de onda T em toda parede anterior. Troponina elevada. Submetido à estratificação invasiva com cineangiocoronariografia, com achado de coronárias normais. A Ressonância Nuclear Magnética (RNM) cardíaca mostrou hipertrofia medioapical com maior espessura de 14mm e edema miocárdio nas sequências ponderadas de T2 em segmentos ântero-lateral anterior, anterosseptal e inferoseptal médios e segmentos anterior e septal apicais. Nestas mesmas paredes, observado realce tardio mesocárdico. Na ocasião é orientado o uso de betabloqueador, restrição de atividade física intensa e pesquisa de familiares. Dois anos após, em atendimento ambulatorial, seu ECG era normal, feita uma nova RNM, que evidenciou ausência de sinais sugestivos de hipertrofia miocárdica; presença de fibrose mesocárdica acometendo os segmentos inferior e inferolateral basais; ausência de edema.Com base no caso descrito acima qual a alternativa correta?

Alternativas

  1. A) Trata-se de miocardiopatia hipertrófica com melhora clínica e na imagem após medidas recomendadas.
  2. B) O cardiodesfibrilador implantável é recomendado pelo risco de arritmias e morte súbita.
  3. C) Displasia arritmogênica de ventrículo direito é a principal hipótese diagnóstica.
  4. D) Miocardite é um provável diagnóstico, já que apresentou melhora com seguimento.
  5. E) Amiloidose miocárdica é provável pelo espessamento das paredes por provável depósito de substância amiloide.

Pérola Clínica

SCA-like + coronárias normais + RNM com edema/realce tardio + melhora espontânea = Miocardite.

Resumo-Chave

O quadro clínico de dor torácica, elevação de troponina e alterações no ECG, na ausência de doença coronariana obstrutiva, sugere miocardite. A RNM cardíaca é fundamental para o diagnóstico, evidenciando edema e realce tardio. A melhora espontânea e a resolução da hipertrofia transitória reforçam o diagnóstico de miocardite.

Contexto Educacional

A miocardite é uma doença inflamatória do miocárdio que pode apresentar um espectro clínico variado, desde quadros assintomáticos até insuficiência cardíaca fulminante ou morte súbita. Em muitos casos, como o descrito, a miocardite pode mimetizar uma Síndrome Coronariana Aguda (SCA), com dor torácica, elevação de troponinas e alterações eletrocardiográficas, mesmo na ausência de doença coronariana obstrutiva, condição conhecida como MINOCA (Myocardial Infarction with Non-obstructive Coronary Arteries). O diagnóstico de miocardite é frequentemente desafiador, mas a Ressonância Magnética Cardíaca (RMC) desempenha um papel fundamental. A RMC permite a visualização direta da inflamação miocárdica através de achados como edema (sequências T2), hiperemia e necrose/fibrose (realce tardio com gadolínio, tipicamente não isquêmico, mesocárdico ou epicárdico). A presença de hipertrofia miocárdica transitória, como observado no caso, é um achado que pode ocorrer na fase aguda da miocardite e se resolver com a recuperação. O tratamento da miocardite é primariamente de suporte, incluindo repouso, restrição de atividade física e, em alguns casos, medicamentos para insuficiência cardíaca ou arritmias, como betabloqueadores. A evolução do paciente, com melhora clínica e resolução dos achados inflamatórios na RMC, como a ausência de edema e hipertrofia, reforça o diagnóstico de miocardite com recuperação. O acompanhamento a longo prazo é importante para monitorar a função ventricular e o risco de arritmias.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais achados na Ressonância Magnética Cardíaca que sugerem miocardite?

Os principais achados incluem edema miocárdico nas sequências ponderadas em T2, hiperemia e extravasamento capilar (realce precoce com gadolínio) e necrose/fibrose miocárdica (realce tardio com gadolínio, geralmente mesocárdico ou epicárdico).

Como a miocardite pode mimetizar uma Síndrome Coronariana Aguda (SCA)?

A miocardite pode causar dor torácica anginosa, elevação de troponinas e alterações eletrocardiográficas (como inversão de onda T ou supradesnivelamento do segmento ST), simulando um infarto agudo do miocárdio, mas com coronárias normais na angiografia.

Qual o papel do betabloqueador no tratamento da miocardite?

Betabloqueadores podem ser utilizados para controlar sintomas como palpitações e taquicardia, além de reduzir o estresse miocárdico. No entanto, o tratamento principal é de suporte, com restrição de atividade física e monitoramento da função cardíaca.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo