TECM Teórica - Prova Teórica de Clínica Médica — Prova 2025
Sobre a miocardite aguda, qual a alternativa correta?
Miocardite aguda → Repouso físico obrigatório e evitar AINEs na fase aguda.
O tratamento da miocardite foca no suporte hemodinâmico e manejo da IC; AINEs devem ser evitados pois podem exacerbar a inflamação miocárdica e piorar o prognóstico.
A miocardite aguda é uma inflamação do miocárdio frequentemente desencadeada por infecções virais (como Coxsackie, Adenovírus ou SARS-CoV-2). A apresentação clínica varia de dor torácica mimetizando infarto a choque cardiogênico. O ecocardiograma pode mostrar alterações segmentares da contratilidade, o que não exclui miocardite em favor de isquemia, tornando a Ressonância Magnética Cardíaca o padrão-ouro não invasivo. A fisiopatologia envolve uma fase de lesão viral direta seguida por uma resposta imune que pode levar ao remodelamento ventricular e cardiomiopatia dilatada.
Estudos experimentais sugerem que o uso de anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) na fase aguda da miocardite viral pode aumentar a replicação viral, exacerbar a inflamação miocárdica e elevar a mortalidade. Embora os dados em humanos sejam limitados, a recomendação atual é evitar o uso de AINEs para o manejo da dor ou inflamação no contexto de miocardite aguda, optando-se por analgésicos simples se necessário.
A troponina (T ou I) é um marcador sensível de lesão miocárdica e está elevada na maioria dos casos de miocardite aguda. Níveis elevados auxiliam no diagnóstico, mas um valor normal não exclui a condição, especialmente em apresentações crônicas ou subagudas. A cinética da troponina na miocardite pode ser prolongada, refletindo o processo inflamatório contínuo no músculo cardíaco.
O repouso é fundamental na fase aguda. Pacientes com miocardite devem ser aconselhados a evitar esportes competitivos e atividades físicas intensas por um período de 3 a 6 meses. O retorno à atividade física só deve ocorrer após a normalização da função ventricular (FEVE), marcadores inflamatórios, troponina e ausência de arritmias significativas em testes de esforço ou Holter.
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