SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2026
Homem, 26 anos de idade, apresenta dispneia aos esforços. Ao exame físico, apresenta sopro sistólico em foco aórtico e ausculta pulmonar normal. Frequência cardíaca e pressão arterial normais. Foi solicitado ecocardiograma, que mostra átrio esquerdo dilatado, ventrículos com dimensões normais, espessura miocárdica aumentada no septo (20 mm; anormal > 10 mm) com demais paredes miocárdicas com espessura normal. Valva mitral tem movimento anterior sistólico e insuficiência discreta. Apresenta gradiente sistólico máximo de 70 mmHg. Qual é a melhor estratégia indicada para melhora sintomática desse paciente?
CMH Obstrutiva + Sintomas → Betabloqueadores (↑ tempo de enchimento e ↓ gradiente).
Na Miocardiopatia Hipertrófica (CMH), os betabloqueadores são a primeira linha para reduzir a frequência cardíaca, aumentar o enchimento diastólico e diminuir a obstrução dinâmica da via de saída.
A Miocardiopatia Hipertrófica (CMH) é a doença cardíaca genética mais comum, caracterizada por hipertrofia miocárdica sem causa hipertensiva ou valvar explicável. A forma obstrutiva apresenta um gradiente pressórico na via de saída do ventrículo esquerdo, frequentemente exacerbado pelo movimento anterior sistólico (SAM) da valva mitral. O tratamento visa melhorar o relaxamento diastólico e reduzir o gradiente obstrutivo. Os betabloqueadores (ou bloqueadores de canais de cálcio não-diidropiridínicos como o verapamil) são os pilares iniciais. Intervenções como a miectomia septal ou ablação alcoólica são reservadas para casos refratários ao tratamento medicamentoso otimizado.
Os nitratos são vasodilatadores que reduzem a pré-carga (retorno venoso). Na miocardiopatia hipertrófica obstrutiva, o grau de obstrução é dinâmico e inversamente proporcional ao volume do ventrículo esquerdo. Menos volume significa que as paredes e a valva mitral ficam mais próximas, aumentando o gradiente de obstrução e piorando os sintomas.
Eles possuem efeito inotrópico negativo (reduzem a força de contração, diminuindo a ejeção vigorosa que causa o efeito Venturi) e cronotrópico negativo. Ao reduzir a frequência cardíaca, aumentam o tempo de enchimento diastólico, o que mantém o ventrículo mais cheio e reduz a obstrução dinâmica da via de saída.
O SAM ocorre quando a cúspide anterior da valva mitral é 'sugada' em direção ao septo hipertrofiado durante a sístole, devido à alta velocidade do sangue saindo pelo ventrículo (efeito Venturi). Isso causa tanto a obstrução da via de saída do VE quanto uma insuficiência mitral secundária.
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