TECM Teórica - Prova Teórica de Clínica Médica — Prova 2021
Considere que uma mulher, 30 anos de idade, com diagnóstico de miocardiopatia hipertrófica (CMH), chega ao pronto atendimento com quadro de desmaio em casa. Encontrase alerta, queixando de taquicardia seguida de tonteira. A seguir, resultado do eletrocardiograma realizado: Nesse caso, qual é o diagnóstico da arritmia presente?
CMH + Síncope/Palpitação → Investigar TVNS (marcador de risco para morte súbita).
A TVNS na miocardiopatia hipertrófica é um importante fator de risco para morte súbita, indicando instabilidade elétrica em um miocárdio com desorganização estrutural.
A Miocardiopatia Hipertrófica (CMH) é a doença cardíaca genética mais comum, caracterizada por hipertrofia ventricular esquerda não explicada apenas por condições de carga. A desorganização dos miócitos (disarray) e a fibrose intersticial criam um substrato arritmogênico propenso a reentrada. A TVNS é um achado frequente no Holter desses pacientes e, quando associada a sintomas como síncope, eleva significativamente a suspeição clínica para eventos fatais. O manejo foca no controle de sintomas e na prevenção de morte súbita.
A Taquicardia Ventricular Não Sustentada (TVNS) é definida pela presença de 3 ou mais batimentos de origem ventricular sucessivos, com frequência cardíaca superior a 100 bpm, e duração inferior a 30 segundos, terminando espontaneamente. No contexto da Miocardiopatia Hipertrófica, sua identificação é crucial, pois atua como um marcador de instabilidade elétrica do miocárdio hipertrofiado e desorganizado, sendo um dos critérios utilizados em calculadoras de risco para indicação de Cardiodesfibrilador Implantável (CDI).
A síncope na Miocardiopatia Hipertrófica pode ter múltiplas etiologias, incluindo arritmias ventriculares (como a TVNS que degenera para TV sustentada), arritmias supraventriculares, obstrução dinâmica do trato de saída do ventrículo esquerdo ou reflexos vasovagais anormais. Síncopes de repetição ou síncope esforço-relacionada em pacientes jovens com CMH são sinais de alerta vermelho para morte súbita cardíaca, exigindo investigação imediata com Holter e ecocardiograma.
A estratificação envolve a análise de história familiar de morte súbita, espessura máxima da parede ventricular ≥ 30 mm, síncope inexplicada recente, presença de TVNS no Holter e resposta pressórica anormal ao esforço. O uso de scores validados, como o HCM Risk-SCD da ESC, ajuda a decidir sobre o implante profilático de CDI em prevenção primária.
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