Grupo OPTY - Rede de Oftalmologia — Prova 2024
Segundo dados do DATASUS, em 2019 foram realizados mais de 5 milhões de procedimentos cirúrgicos, com mortalidade perioperatória geral de 1,6%. Com o envelhecimento da população e o aumento da expectativa de vida, tais procedimentos são realizados em uma população com idade média mais avançada e prevalência de maior comorbidades. Nesse contexto, avaliação clínica perioperatória ganha cada vez mais importância na tentativa de diminuir comorbidades e a mortalidade perioperatórias.Manual do Residente de Clínica Médica. Maria Helena Sampaio Favarato et al. – 3.a ed. Santana de Parnaíba-SP: Manole, 2023.Tendo o texto apenas como caráter informativo e levando em conta o tema que ele suscita e seus conhecimentos prévios, julgue o item.Entre as complicações cardíacas pós-operatórias potenciais, destacam-se arritmias graves com instabilidade hemodinâmica. No entanto, é importante observar que a lesão miocárdica após cirurgia não cardíaca (MINS) não está associada a um aumento na mortalidade.
MINS = ↑ Troponina pós-op não cardíaca → ↑ Mortalidade em 30 dias.
A MINS é definida pela elevação de troponina de origem isquêmica após cirurgia não cardíaca, sendo um preditor independente e potente de óbito precoce.
A avaliação perioperatória evoluiu do simples 'risco cirúrgico' para a gestão contínua de riscos. A MINS (Myocardial Injury after Noncardiac Surgery) emergiu como um conceito crucial porque a maioria dessas lesões (cerca de 90%) ocorre sem sintomas isquêmicos típicos, devido à analgesia pós-operatória. A fisiopatologia envolve desequilíbrio entre oferta e demanda de oxigênio ou ruptura de placa. A detecção precoce através da dosagem de troponina permite intervenções otimizadas, como ajuste de betabloqueadores, estatinas e antiagregantes, visando reduzir a alta taxa de mortalidade associada a essa condição.
A Lesão Miocárdica após Cirurgia Não Cardíaca (MINS) é definida como a elevação dos níveis de troponina cardíaca, considerada de origem isquêmica (sem causa não cardíaca óbvia como sepse ou TEP), que ocorre durante ou até 30 dias após uma cirurgia não cardíaca. Diferente do IAM clássico, a MINS muitas vezes não apresenta sintomas precordiais.
Estudos robustos, como o VISION, demonstraram que a MINS está fortemente associada a um aumento significativo na mortalidade em 30 dias. É uma das complicações mais comuns e graves, sendo responsável por uma parcela considerável dos óbitos perioperatórios, mesmo quando assintomática.
O diagnóstico baseia-se na vigilância laboratorial com troponina em pacientes de alto risco cardiovascular (idade > 65 anos ou doença aterosclerótica conhecida). Como a maioria dos pacientes recebe analgésicos potentes no pós-operatório, a dor isquêmica é mascarada, tornando o biomarcador essencial para a detecção.
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