CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2010
Paciente com eosinofilia associada a este achado ao exame fundoscópico. Qual o diagnóstico mais provável?
Eosinofilia + Trilhas sub-retinianas ou larvas vítreas → Miíase ocular (Oftalmomíase).
A presença de eosinofilia sistêmica associada a trilhas de migração sub-retiniana é um sinal clássico de infestação por larvas de moscas (miíase), diferenciando-a de uveítes inflamatórias.
A oftalmomíase interna posterior é uma condição rara mas devastadora, onde a migração de larvas de dípteros no espaço sub-retiniano deixa trilhas hipopigmentadas características, que podem mimetizar doenças inflamatórias como a coroidite serpiginosa ou a síndrome de Diffuse Unilateral Subacute Neuroretinitis (DUSN). O diagnóstico é clínico, baseado na visualização da larva ou de suas trilhas, reforçado pela eosinofilia periférica. A detecção precoce é crucial para evitar o descolamento de retina exsudativo, hemorragias vítreas e a perda permanente da visão decorrente da toxicidade dos produtos de excreção da larva ou da resposta inflamatória do hospedeiro.
A oftalmomíase interna ocorre quando larvas de moscas (como a *Hypoderma* ou *Oestrus ovis*) penetram no globo ocular. Isso pode acontecer por penetração direta através da esclera ou conjuntiva, ou menos comumente por via hematogênica. Uma vez dentro, a larva pode se localizar no espaço sub-retiniano ou no humor vítreo, causando destruição mecânica e inflamação severa.
A eosinofilia é uma resposta imunitária sistêmica típica a infestações por helmintos ou larvas de tecidos. A presença de proteínas e antígenos da larva em migração estimula a produção de eosinófilos pela medula óssea. Em casos de oftalmomíase interna posterior, o hemograma pode revelar essa alteração, auxiliando no diagnóstico diferencial de massas ou trilhas retinianas de origem incerta.
O tratamento depende da localização e da viabilidade da larva. Se a larva estiver visível no vítreo ou espaço sub-retiniano, a remoção cirúrgica via vitrectomia posterior ou a fotocoagulação a laser (para matar a larva antes que ela cause mais dano) são indicadas. O uso de anti-helmínticos sistêmicos como a ivermectina pode ser considerado, associado a corticoides para controlar a reação inflamatória após a morte do parasita.
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