INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2016
Uma menina com 10 anos de idade é atendida na Unidade Básica de Saúde, com queixa de dor de cabeça recorrente há 6 meses. Refere que a dor é de moderada intensidade, localizada na região frontal, intermitente, com duração aproximada de 2 horas, de caráter pulsátil e acompanhada de náuseas e fotofobia. Relata ainda que os episódios são desencadeados por atividade física, jejum prolongado ou privação do sono. O exame físico é normal. Diante desse quadro, quais são o diagnóstico e o tratamento inicial recomendado?
Cefaleia pulsátil + náuseas + fotofobia em crianças → Migrânea sem aura → Ibuprofeno é 1ª linha.
A migrânea pediátrica difere da adulta por ser frequentemente bilateral e de menor duração; o tratamento de escolha para crises moderadas é o ibuprofeno.
O diagnóstico de cefaleias na infância baseia-se nos critérios da ICHD-3. A migrânea sem aura é uma cefaleia primária comum, frequentemente subdiagnosticada. Fatores desencadeantes como jejum, privação de sono e esforço físico são clássicos. O exame físico e neurológico normal é fundamental para excluir causas secundárias, dispensando exames de imagem na maioria dos casos com apresentação típica.
Na infância, a migrânea apresenta características peculiares: a dor é frequentemente bilateral (frontal ou bitemporal), ao contrário da dor tipicamente unilateral do adulto. Além disso, a duração das crises pode ser menor, variando de 2 a 72 horas (no adulto o mínimo considerado são 4 horas). Sintomas autonômicos como náuseas, vômitos, fotofobia e fonofobia são comuns, mas a criança pode ter dificuldade em expressá-los, manifestando-se apenas por irritabilidade ou desejo de dormir em quarto escuro.
O ibuprofeno (10 mg/kg) e o paracetamol (15 mg/kg) são os fármacos de primeira linha para o tratamento agudo da migrânea em crianças devido ao seu perfil de segurança e eficácia comprovada em ensaios clínicos. A ergotamina não é recomendada como tratamento inicial na pediatria devido ao maior risco de efeitos colaterais (náuseas, vasoconstrição) e à falta de evidências robustas de superioridade sobre os AINEs em crises de intensidade moderada.
O tratamento profilático deve ser considerado quando as crises são frequentes (geralmente > 3-4 episódios por mês), graves o suficiente para causar absenteísmo escolar ou quando o tratamento agudo é ineficaz ou contraindicado. As opções incluem medidas não farmacológicas (higiene do sono, alimentação regular, hidratação) e medicamentos como amitriptilina, topiramato ou flunarizina, sempre individualizando a escolha conforme as comorbidades do paciente.
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