Migrânea sem Aura na Infância: Diagnóstico e Características

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2012

Enunciado

Uma criança de 8 anos de idade é trazida por sua mãe ao Ambulatório de Pediatria com queixa de cefaleia periódica há 3 anos, com duração de até 24 horas/episódio e com média de 15 episódios ao ano. Até hoje, faz o tratamento em casa com analgésicos e nunca procurou atendimento médico. Como as crises continuam, acarretando alterações no comportamento e ausências escolares, a mãe resolveu trazer seu filho ao médico. A dor apresenta as seguintes características semiológicas: é localizada, às vezes unilateral, pulsátil, algumas vezes intensa e se agrava com atividade física rotineira. Normalmente, as crises vêm acompanhadas de fono e fotofobia. A mãe refere que o humor de seu filho muda completamente durante os períodos álgicos. Durante a crise, não há sintomas sensoriais, visuais e nem disfasia. Há antecedentes familiares de cefaleia. Diante do relato clínico, conclui-se que o escolar apresenta:

Alternativas

  1. A) Cefaleia crônica tipo migrânea sem aura.
  2. B) Cefaleia crônica progressiva por provável Tumor do SNC.
  3. C) Cefaleia crônica por provável trombose vascular cerebral.
  4. D) Cefaleia crônica em surtos por provável hipertensão arterial.
  5. E) Cefaleia crônica recorrente por provável distúrbio psiquiátrico.

Pérola Clínica

Cefaleia pulsátil + Foto/Fonofobia + Piora com esforço + História familiar = Migrânea (Enxaqueca).

Resumo-Chave

A migrânea sem aura na infância caracteriza-se por crises recorrentes, frequentemente bilaterais, com sintomas autonômicos e hipersensibilidade sensorial, sem sinais de alerta neurológicos.

Contexto Educacional

A cefaleia é uma queixa comum na infância, sendo a migrânea a causa mais frequente de cefaleia primária incapacitante. Diferente dos adultos, a duração das crises em crianças pode ser mais curta e a localização frequentemente é bilateral. A fisiopatologia envolve a ativação do sistema trigeminovascular e a depressão alastrante cortical. O diagnóstico é eminentemente clínico, baseado em uma anamnese detalhada que explore o caráter pulsátil da dor e a presença de fenômenos associados como foto e fonofobia. A história familiar é um forte preditor, presente em até 70% dos casos. O manejo deve focar no alívio rápido da dor e na identificação de gatilhos (estresse, jejum, privação de sono), visando reduzir a morbidade e melhorar a qualidade de vida do escolar.

Perguntas Frequentes

Quais os critérios para migrânea sem aura em crianças?

Segundo a ICHD-3, a migrânea sem aura na infância exige pelo menos 5 crises durando de 2 a 72 horas. A dor deve ter pelo menos duas das seguintes características: localização bilateral ou unilateral (frequentemente frontotemporal), qualidade pulsátil, intensidade moderada a grave e agravamento por atividade física. Além disso, deve haver pelo menos um dos seguintes durante a crise: náuseas/vômitos ou fotofobia e fonofobia (que podem ser inferidas pelo comportamento em crianças menores).

Como diferenciar cefaleia primária de secundária na pediatria?

Cefaleias primárias, como a migrânea, têm caráter recorrente, longa evolução (anos), exame neurológico normal e história familiar positiva. Sinais de alerta para cefaleias secundárias (como tumores) incluem: dor que desperta a criança à noite, vômitos em jato matinais, mudança no padrão da dor, início súbito ('thunderclap'), edema de papila ou déficits neurológicos focais. O caso descrito apresenta estabilidade de 3 anos, o que afasta processos expansivos agudos.

Qual o impacto da migrânea no comportamento escolar?

A migrânea tem um impacto funcional significativo, causando absenteísmo escolar e prejuízo nas atividades sociais. Durante as crises, a criança frequentemente busca ambientes escuros e silenciosos e apresenta irritabilidade ou mudanças de humor. O tratamento envolve não apenas a fase aguda (analgésicos), mas também a higiene do sono, hidratação e, em casos de alta frequência (como os 15 episódios/ano relatados), a consideração de profilaxia medicamentosa.

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