Enxaqueca Crônica: Escolha da Profilaxia Ideal

SES-GO - Secretaria de Estado de Saúde de Goiás — Prova 2024

Enunciado

Leia o caso clínico a seguir. Paciente de 35 anos, do sexo feminino, procura o serviço médico relatando cerca de quatro episódios semanais de cefaleia pulsátil, de forte intensidade que duram até um dia, predominando do lado direito da cabeça, melhorando com repouso em ambiente escuro e silencioso, às vezes necessitando do uso de dipirona. As crises de dor são acompanhadas de náuseas, já tendo ocorrido vômitos. Conta que esses episódios se iniciaram na adolescência durante o período menstrual, mas há dois meses se tornaram muito frequentes, após o início de dieta para o controle de peso. Relata ter asma desde a infância, com uso de salbutamol inalatório só quando tem falta de ar. No exame físico, a paciente apresenta altura de 1,6 m, peso de 92 Kg e sibilos ocasionais na ausculta pulmonar e extrassístoles na ausculta cardíaca. No restante, os exames físico e neurológico não apresentavam outras alterações. Um eletrocardiograma realizado apresentou um aumento no intervalo QT e a radiografia de tórax foi normal.Nesse caso, além das medidas para tratamento da dor durante os episódios de cefaleia, essa paciente necessita de tratamento profilático com

Alternativas

  1. A) Propranolol 20 mg VO de 12 em 12 horas.
  2. B) Topiramato 25 mg VO de 12 em 12 horas.
  3. C) Amitriptilina 50 mg VO à noite.
  4. D) Clorpromazina 25 mg VO à noite.

Pérola Clínica

Enxaqueca crônica + asma + QT prolongado → Topiramato é preferível ao Propranolol para profilaxia.

Resumo-Chave

A paciente apresenta enxaqueca crônica com fatores de risco e comorbidades importantes. O topiramato é uma excelente opção profilática para enxaqueca, especialmente em pacientes com obesidade. O propranolol, embora eficaz, é contraindicado devido à asma e deve ser evitado em QT prolongado, assim como a amitriptilina que pode prolongar o QT.

Contexto Educacional

A enxaqueca é uma cefaleia primária comum, caracterizada por crises de dor pulsátil, unilateral, com náuseas/vômitos, foto e fonofobia. A profilaxia é crucial para pacientes com crises frequentes ou incapacitantes, visando reduzir a frequência, intensidade e duração das crises, melhorando a qualidade de vida e a resposta ao tratamento agudo. A escolha do tratamento profilático deve considerar as comorbidades do paciente. O topiramato é um anticonvulsivante eficaz na profilaxia da enxaqueca, com o benefício adicional de auxiliar na perda de peso, o que é relevante para pacientes obesos. Sua eficácia é bem estabelecida, sendo uma opção de primeira linha. Beta-bloqueadores como o propranolol são contraindicados em pacientes com asma ou doença pulmonar obstrutiva crônica devido ao risco de broncoespasmo. Antidepressivos tricíclicos como a amitriptilina podem ser usados, mas também exigem cautela em pacientes com prolongamento do intervalo QT, devido ao risco de arritmias. A avaliação cuidadosa do perfil do paciente é fundamental para a escolha terapêutica.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para iniciar profilaxia na enxaqueca?

A profilaxia é indicada quando as crises são frequentes (≥4/mês), incapacitantes, ou quando há falha/contraindicação aos tratamentos agudos. Também é considerada se a qualidade de vida está significativamente comprometida.

Por que o propranolol é contraindicado para esta paciente?

O propranolol é um beta-bloqueador e pode exacerbar a asma, causando broncoespasmo. Além disso, pode prolongar o intervalo QT, o que já é um achado na paciente, aumentando o risco de arritmias cardíacas graves.

Quais são os efeitos adversos comuns do topiramato?

Os efeitos adversos incluem parestesias, perda de peso, disfunção cognitiva (dificuldade de concentração, lentidão), nefrolitíase e glaucoma agudo de ângulo fechado. A titulação lenta ajuda a minimizar esses efeitos.

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