UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2020
Mulher de 22 anos procura assistência médica em função de cefaleia crônica e recorrente de forte intensidade. Informa cefaleia unilateral e pulsátil que inicia de forma mais leve e acentua-se com o passar das horas, durando mais de 4h na ausência de tratamento adequado. Às vezes, o quadro é precedido por escotomas, caracterizados como falhas periféricas no campo visual. A avaliação sugere migrânea, pois, além dos dados apresentados, há:
Enxaqueca clássica: dor unilateral pulsátil, >4h, com aura visual, fotofobia e fonofobia.
A presença de fotofobia (sensibilidade à luz) e fonofobia (sensibilidade ao som) durante as crises é um critério diagnóstico fundamental para a migrânea, conforme a Classificação Internacional de Cefaleias (ICHD-3), complementando os sintomas de dor unilateral, pulsátil e com aura visual já descritos.
A migrânea, ou enxaqueca, é uma cefaleia primária crônica e recorrente, caracterizada por ataques de dor de cabeça moderada a grave, frequentemente unilateral e pulsátil, que podem durar de 4 a 72 horas. É uma condição altamente incapacitante, com prevalência significativa na população, especialmente em mulheres jovens. A presença de aura, como os escotomas visuais mencionados no caso, indica um subtipo específico, a migrânea com aura. A fisiopatologia da enxaqueca é complexa, envolvendo a ativação do sistema trigeminal, disfunção cortical e liberação de neuropeptídeos, como o peptídeo relacionado ao gene da calcitonina (CGRP). A aura é atribuída a um fenômeno de depressão alastrante cortical. O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado nos critérios da ICHD-3, que incluem características da dor (unilateralidade, pulsatilidade, intensidade, agravamento por atividade física) e sintomas associados, como náuseas/vômitos, fotofobia e fonofobia. O tratamento da enxaqueca envolve abordagens agudas e profiláticas. O tratamento agudo visa aliviar a dor e os sintomas associados, utilizando analgésicos, anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) e triptanos. A profilaxia é indicada para pacientes com crises frequentes ou incapacitantes, e pode incluir betabloqueadores, antidepressivos, anticonvulsivantes e, mais recentemente, anticorpos monoclonais anti-CGRP. O manejo eficaz requer uma abordagem individualizada e a educação do paciente sobre gatilhos e estilo de vida.
Os critérios incluem pelo menos dois ataques de aura reversível, com pelo menos um sintoma visual, sensitivo ou de fala. A aura deve se desenvolver gradualmente, durar de 5 a 60 minutos e ser seguida por cefaleia em até 60 minutos.
A aura é um conjunto de sintomas neurológicos focais transitórios que precedem ou acompanham a cefaleia. A aura visual é a mais comum, manifestando-se como escotomas cintilantes, linhas em zigue-zague ou perda de campo visual.
A fotofobia (sensibilidade à luz) e a fonofobia (sensibilidade ao som) são sintomas característicos da enxaqueca, refletindo a hipersensibilidade do sistema nervoso central durante as crises. Sua presença, juntamente com náuseas/vômitos, ajuda a diferenciar a enxaqueca de outros tipos de cefaleia.
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