Santa Casa de Belo Horizonte (MG) — Prova 2023
Mulher de 25 anos queixa-se de crises de cefaleia unilateral, latejante, intensa, com duração de 2 dias, associada a fotofobia e náuseas. Cerca de 30 minutos antes das crises, apresenta zumbido e vertigem, que cessam após o início da dor. Tem apresentado 3 crises ao mês, durante as quais não consegue estudar ou trabalhar. Faz uso de anticoncepcional oral combinado para a prevenção de gravidez. Possui vida agitada com horários irregulares para se alimentar e dormir. O exame físico é normal. Assinale a alternativa que apresenta uma conduta INCORRETA nesse caso:
Migrânea com aura e ACO combinado → risco AVC ↑; toxina botulínica para migrânea crônica, não episódica.
A paciente apresenta características de migrânea com aura (zumbido e vertigem antes da dor) e usa anticoncepcional oral combinado, o que aumenta o risco de acidente vascular cerebral. A toxina botulínica é indicada para migrânea crônica (≥15 dias/mês de cefaleia, sendo ≥8 com características de migrânea), não para crises episódicas como as descritas.
A migrânea é uma cefaleia primária comum, caracterizada por crises recorrentes de dor de cabeça unilateral, latejante, de intensidade moderada a grave, associada a sintomas como náuseas, vômitos, fotofobia e fonofobia. A migrânea com aura, como no caso descrito, envolve sintomas neurológicos focais transitórios que precedem ou acompanham a dor. A prevalência é maior em mulheres jovens, e fatores como estresse, privação de sono e uso de anticoncepcionais hormonais podem desencadear ou agravar as crises. O diagnóstico da migrânea é clínico, baseado nos critérios da International Headache Society (IHS). A presença de aura, como zumbido e vertigem, é um fator importante a ser considerado. No caso de mulheres com migrânea com aura, o uso de anticoncepcionais orais combinados é uma contraindicação absoluta devido ao aumento do risco de acidente vascular cerebral isquêmico, sendo recomendada a substituição por métodos contraceptivos não estrogênicos, como o DIU de cobre ou progestagênios isolados. O tratamento da migrânea envolve abordagens agudas e profiláticas. A profilaxia é indicada para pacientes com crises frequentes ou incapacitantes, e medicamentos como betabloqueadores (ex: propranolol), topiramato e amitriptilina são opções de primeira linha. Medidas não farmacológicas, como a regularização dos horários de sono e alimentação, são cruciais. A toxina botulínica, por sua vez, é uma opção terapêutica para migrânea crônica, não para casos de migrânea episódica, como o da paciente, que apresenta 3 crises ao mês.
A migrânea com aura é caracterizada por ataques recorrentes de cefaleia, precedidos ou acompanhados por sintomas neurológicos focais transitórios (aura), como visuais, sensitivos, de fala ou outros, que se desenvolvem gradualmente e são totalmente reversíveis.
O uso de anticoncepcionais orais combinados em mulheres com migrânea com aura aumenta significativamente o risco de acidente vascular cerebral isquêmico, devido a um estado de hipercoagulabilidade e disfunção endotelial.
A profilaxia é indicada quando as crises são frequentes (geralmente >2-4 por mês), incapacitantes, ou quando o tratamento agudo é ineficaz ou contraindicado, visando reduzir a frequência, intensidade e duração das crises.
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