Migrânea com Aura em Crianças: Diagnóstico e Sintomas

ENARE/ENAMED — Prova 2022

Enunciado

Paciente de 12 anos queixa-se de cefaleia recorrente, moderada, com intervalos variáveis, de dias, semanas ou meses. A dor é bilateral e pulsátil e, por vezes, acompanhada de irritabilidade, anorexia e náusea. Antes do quadro de dor, vê “bolinhas coloridas” e sente formigamento na língua. Sobre o diagnóstico mais provável, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) O paciente está na faixa etária de menor incidência em pediatria.
  2. B) Podem fazer parte dos sintomas que precedem a dor: formigamento em hemicorpo, disfasia e disartria.
  3. C) O paciente apresenta o tipo de quadro mais comum, que é o de dor precedida por sintomas visuais e sensitivos.
  4. D) Para o diagnóstico adequado, é necessário investigar com tomografia de crânio e exames laboratoriais.
  5. E) Casos familiares semelhantes são a exceção.

Pérola Clínica

Migrânea com aura em crianças → sintomas visuais/sensitivos precedem dor pulsátil, bilateral, com sintomas associados.

Resumo-Chave

A descrição da cefaleia (pulsátil, associada a náusea, irritabilidade) e, principalmente, a presença de aura visual ('bolinhas coloridas') e sensitiva (formigamento na língua) são características de migrânea com aura. A alternativa correta descreve outros sintomas de aura que podem ocorrer.

Contexto Educacional

A migrânea é uma cefaleia primária comum na infância e adolescência, com prevalência crescente com a idade. A migrânea com aura, como no caso descrito, é caracterizada por sintomas neurológicos focais transitórios que precedem ou acompanham a fase de dor. A aura visual é a mais comum, mas sintomas sensitivos, de fala e até motores podem ocorrer, refletindo a complexidade da fisiopatologia cortical. O diagnóstico de migrânea com aura é clínico, baseado nos critérios da Classificação Internacional de Cefaleias (ICHD-3). A aura geralmente se desenvolve gradualmente ao longo de 5 a 20 minutos e dura menos de 60 minutos. A dor de cabeça que se segue é tipicamente pulsátil, unilateral (embora bilateral em crianças seja comum), de intensidade moderada a grave, e associada a náuseas, vômitos, fotofobia e fonofobia. O tratamento da migrânea em crianças envolve medidas não farmacológicas (higiene do sono, hidratação, evitar gatilhos), tratamento agudo (analgésicos, AINEs, triptanos) e, em casos selecionados, profilaxia. A investigação com neuroimagem (TC ou RM de crânio) não é rotineira, sendo reservada para casos com sinais de alerta ou atipicidades que sugiram outras causas de cefaleia.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para migrânea com aura em crianças?

Os critérios incluem ataques de cefaleia com características migranosas precedidos por sintomas neurológicos focais reversíveis (aura), como visuais, sensitivos ou de fala, que se desenvolvem gradualmente e duram de 5 a 60 minutos.

Quais tipos de aura podem ocorrer na migrânea pediátrica?

A aura mais comum é visual (escotomas cintilantes, linhas em zigue-zague). Outros tipos incluem aura sensitiva (formigamento, dormência), aura de fala (disfasia, disartria) e, mais raramente, aura motora ou de tronco cerebral.

Quando é necessária investigação adicional com neuroimagem em casos de cefaleia com aura?

A neuroimagem é indicada se houver atipicidade da aura (duração muito longa, sintomas motores proeminentes, início súbito), mudança no padrão da cefaleia, ou sinais neurológicos focais persistentes após a crise.

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