INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2024
Uma mulher com 21 anos apresenta história de cefaleia hemicraniana, pulsátil, precedida por escotomas visuais, de duração de 6 a 10 horas, com fono e fotofobia, com pelo menos um episódio ao mês nos últimos 10 anos. Relata que a privação de sono desencadeia o quadro e que obtém melhora parcial da cefaleia após ingerir analgésico comum. Nega febre ou alteração das características de cefaleia recentemente. Nega outros sintomas associados. Ao exame físico, apresenta bom estado geral, fácies de dor, está hidratada, corada, com frequência cardíaca de 90 bpm e pressão arterial de 130 x 80 mmHg. Não apresenta alterações no aparelho cardiovascular nem no respiratório. O exame neurológico da paciente encontra-se normal.Diante desse quadro clínico, quais são, respectivamente, a hipótese diagnóstica e a conduta adequada para a paciente?
Cefaleia hemicraniana pulsátil + aura visual + fono/fotofobia + desencadeantes = Migrânea → Triptano para alívio agudo.
O quadro clínico descrito é clássico de migrânea com aura: cefaleia hemicraniana e pulsátil, precedida por sintomas visuais (aura), acompanhada de fono e fotofobia. A privação de sono é um desencadeante comum. Triptanos são a escolha de tratamento agudo para migrânea moderada a grave, especialmente quando analgésicos comuns são ineficazes ou parcialmente eficazes.
A migrânea é uma cefaleia primária comum e debilitante, caracterizada por ataques recorrentes de dor de cabeça, geralmente unilateral, pulsátil, de intensidade moderada a grave, agravada por atividade física e associada a sintomas como náuseas, vômitos, fotofobia e fonofobia. A migrânea com aura, como no caso apresentado, envolve sintomas neurológicos focais transitórios que precedem ou acompanham a dor de cabeça, sendo os visuais (escotomas, luzes cintilantes) os mais frequentes. O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios da Classificação Internacional das Cefaleias (ICHD-3). A fisiopatologia da migrânea envolve a ativação do sistema trigeminal e a liberação de neuropeptídeos, como o peptídeo relacionado ao gene da calcitonina (CGRP), que causam vasodilatação e inflamação neurogênica. A aura é atribuída a um fenômeno de depressão alastrante cortical. A identificação de desencadeantes, como a privação de sono, é fundamental para o manejo do paciente, permitindo estratégias de prevenção e modificação do estilo de vida. O tratamento da migrânea divide-se em agudo e profilático. Para o tratamento agudo, analgésicos comuns e AINEs podem ser eficazes em casos leves a moderados. No entanto, para ataques moderados a graves ou quando os analgésicos comuns falham, os triptanos (agonistas seletivos dos receptores 5-HT1B/1D) são a primeira linha de escolha. Eles atuam na vasoconstrição de vasos intracranianos e na inibição da liberação de neuropeptídeos. A profilaxia é considerada para pacientes com ataques frequentes (≥4 por mês), prolongados ou incapacitantes, e pode incluir betabloqueadores, antidepressivos tricíclicos, anticonvulsivantes ou anticorpos monoclonais anti-CGRP.
Para migrânea com aura, o paciente deve ter pelo menos dois ataques que preencham os critérios para migrânea e aura. A aura deve ser totalmente reversível, com sintomas visuais, sensitivos ou de fala, que se desenvolvem gradualmente, duram de 5 a 60 minutos e são seguidos pela cefaleia em até 60 minutos. A cefaleia deve ter pelo menos duas das seguintes características: unilateral, pulsátil, intensidade moderada a grave, agravada por atividade física, e acompanhada de náuseas/vômitos ou fotofobia/fonofobia.
Os triptanos são indicados para o tratamento agudo de ataques de migrânea moderados a graves, ou quando analgésicos comuns e anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) são ineficazes. Eles devem ser tomados o mais cedo possível após o início da cefaleia, mas não durante a fase de aura, para maximizar sua eficácia.
Os desencadeantes da migrânea variam entre os indivíduos, mas incluem frequentemente estresse, privação de sono, alterações hormonais (ciclo menstrual), certos alimentos (queijo, chocolate, álcool), odores fortes, luzes brilhantes, ruídos e alterações climáticas. Identificar e evitar esses fatores pode ajudar na prevenção dos ataques.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo