INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2023
Uma adolescente de 14 anos procura uma unidade básica de saúde com queixa de cefaleia. Ela conta que, durante a prova de matemática, apresentou dificuldade para enxergar os enunciados; ela descreve que via “imagens brilhantes” e que, a seguir, a visão dela ficou como uma mancha escura e passou a ter dor de cabeça. Depois de 30 minutos, a visão se normalizou. A menina tentou continuar a prova, mas a dor na lateral da cabeça começou a latejar e piorou. Em seguida, teve vontade de vomitar e precisou sair da sala às pressas. Ela diz que nunca teve isso antes e que os sons mais fortes estão muito desconfortáveis. A paciente nega o uso de anticoncepcional oral. Ao exame físico, está pálida, sudoréica, nauseada e com dor. Com relação aos sinais vitais, apresenta pressão arterial de 110 × 70 mmHg; frequência cardíaca de 96 batimentos por minuto; frequência respiratória de 14 incursões respiratórias por minuto; e temperatura axilar de 36,9 °C. Não há sinais neurológicos focais, nem sinais meníngeos, e o exame de fundo de olho revela pulso venoso espontâneo presente. Em relação ao quadro clínico apresentado, a hipótese mais provável é de cefaleia causada por
Cefaleia unilateral pulsátil + aura visual + náuseas/fonofobia → Migrânea com aura.
A migrânea com aura é caracterizada por sintomas neurológicos focais transitórios (aura) que precedem ou acompanham a cefaleia. A aura visual é a mais comum, descrita como escotomas cintilantes ou perda de campo visual. A ausência de sinais neurológicos focais persistentes e meníngeos é crucial para o diagnóstico.
A migrânea com aura é uma cefaleia primária comum, especialmente em adolescentes e adultos jovens, caracterizada por episódios recorrentes de cefaleia acompanhados ou precedidos por sintomas neurológicos focais transitórios (aura). A prevalência é maior em mulheres. É crucial reconhecer os critérios diagnósticos para evitar investigações desnecessárias e iniciar o tratamento adequado. A fisiopatologia envolve uma onda de depressão cortical alastrante (spreading depression) que causa a aura, seguida por ativação do sistema trigeminal e inflamação neurogênica, resultando na dor. O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios da Classificação Internacional das Cefaleias (ICHD-3), que incluem a presença de aura visual, sensitiva ou de fala, e características específicas da cefaleia. O manejo agudo visa aliviar a dor e os sintomas associados, utilizando analgésicos, antieméticos e triptanos. A profilaxia pode ser considerada em casos de crises frequentes ou incapacitantes. É fundamental orientar o paciente sobre gatilhos e medidas comportamentais, além de realizar acompanhamento regular.
A aura visual geralmente se manifesta como escotomas cintilantes (luzes piscando, zigue-zagues) ou perda de campo visual, que se desenvolvem gradualmente e duram de 5 a 60 minutos, precedendo a dor de cabeça.
Suspeite de causas secundárias se houver alteração do padrão da cefaleia, sinais neurológicos focais persistentes, papiledema, cefaleia de início súbito e intensa ("thunderclap"), ou sintomas sistêmicos.
O tratamento inicial foca no alívio sintomático com analgésicos comuns (AINEs) ou triptanos, se indicado. Medidas não farmacológicas como repouso em ambiente escuro e silencioso também são importantes.
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