UFES/HUCAM - Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes - Vitória (ES) — Prova 2022
Uma paciente de 45 anos, previamente hígida foi admitida por fraqueza de instalação aguda nos membros inferiores e dor ao longo da face interna de ambas as coxas e retenção urinária há 8 dias. Ao exame, observou-se paraparesia crural, hiperreflexia patelar e aquilina demais reflexos estavam normativos, reflexo plantar em extensão bilateralmente hipoestesia tátil e hipopalestesia com nível em T10. Qual a hipótese diagnóstica para este caso?
Mielopatia aguda + dor radicular + hiperreflexia + Babinski + nível sensitivo T10 + retenção urinária = Mielorradiculopatia esquistossomótica.
O quadro de mielopatia aguda com dor radicular, paraparesia, hiperreflexia, Babinski bilateral, nível sensitivo em T10 e disfunção esfincteriana (retenção urinária) é altamente sugestivo de uma mielopatia inflamatória ou infecciosa. No Brasil, a mielorradiculopatia esquistossomótica é uma causa importante e comum de mielopatia aguda, especialmente quando há dor radicular e nível sensitivo toracolombar.
A mielopatia é uma condição neurológica que afeta a medula espinhal, resultando em disfunção motora, sensitiva e autonômica. O caso clínico descreve uma mielopatia aguda com sinais de lesão de neurônio motor superior (hiperreflexia, Babinski) e nível sensitivo bem definido em T10, além de dor radicular e disfunção esfincteriana. No contexto brasileiro, a mielorradiculopatia esquistossomótica é uma causa importante e frequentemente negligenciada de mielopatia aguda ou subaguda. A esquistossomose mansônica, causada pelo Schistosoma mansoni, pode levar a uma forma neurológica grave quando os ovos do parasita migram para a medula espinhal, causando uma reação inflamatória granulomatosa. A apresentação clínica clássica inclui dor lombar ou radicular, fraqueza progressiva em membros inferiores, alterações sensitivas com nível e disfunção vesical/intestinal. O diagnóstico é feito pela suspeita clínica, exames de imagem (ressonância magnética da coluna) e pesquisa de ovos do parasita em fezes ou biópsia retal, além de sorologia. É crucial para o residente considerar a mielorradiculopatia esquistossomótica no diagnóstico diferencial de mielopatias agudas, especialmente em pacientes de áreas endêmicas ou com histórico de exposição. O tratamento precoce com praziquantel, associado a corticoides para reduzir a inflamação, pode melhorar significativamente o prognóstico e prevenir sequelas neurológicas permanentes. A diferenciação de outras causas de mielopatia, como a Síndrome de Guillain-Barré, é fundamental para o manejo adequado.
A paraparesia crural, hiperreflexia patelar e aquilina, reflexo plantar em extensão bilateral (Babinski), hipoestesia tátil e hipopalestesia com nível em T10, juntamente com dor radicular e retenção urinária, são todos sinais de lesão medular (mielopatia).
No Brasil, a esquistossomose é uma causa endêmica de mielopatia aguda, especialmente em pacientes com dor radicular, disfunção esfincteriana e nível sensitivo toracolombar. A apresentação aguda com dor e disfunção motora/sensitiva é clássica da forma medular da doença.
A mielopatia espondilótica é geralmente crônica e progressiva, associada a alterações degenerativas da coluna vertebral em idosos. A mielorradiculopatia esquistossomótica é aguda ou subaguda, pode ter dor radicular intensa e é mais comum em áreas endêmicas, com histórico de exposição à água contaminada.
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